Pesquisa sobre juventude indígena no Rio Negro vence prêmio internacional
Trabalho da Embrapa sobre jovens da comunidade Terra Preta, na RDS Rio Negro (a 80 km de Manaus), levou o 1º lugar no Seminário Internacional de Desenvolvimento Rural Sustentável. Mostra os jovens indígenas como agentes de transformação.

Um trabalho da Embrapa Amazônia Ocidental sobre juventude indígena e mudança climática conquistou o 1º lugar no XVII Seminário Internacional de Desenvolvimento Rural Sustentável, Cooperativismo e Economia Solidária (Sicoopes). O artigo, assinado por Glenda Barbosa da Costa, Lindomar de Jesus de Sousa Silva e Alessandro Carvalho dos Santos, foi desenvolvido na comunidade Terra Preta, dentro da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Rio Negro, a 80 km de Manaus.
O achado
O estudo escutou jovens indígenas sobre como percebem a mudança climática na vida cotidiana deles. Resultado: os jovens não se enxergam como vítimas passivas. Se enxergam como agentes de transformação — guardiões de conhecimento ancestral e fluentes em ferramentas digitais que usam para mobilizar suas comunidades e influenciar práticas sustentáveis.
A juventude indígena combina TikTok e roça. Isso não é contradição. É como funciona o Rio Negro em 2026.
Por que o prêmio importa
Três motivos:
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A pesquisa é feita de dentro. Os autores trabalharam na comunidade, não sobre a comunidade. Glenda Barbosa da Costa é pesquisadora ligada à Embrapa Amazônia Ocidental, sediada em Manaus.
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Reconhecimento internacional. O Sicoopes reúne pesquisadores de vários países em torno de cooperativismo, agroecologia e desenvolvimento territorial. Levar o 1º lugar com uma pesquisa amazônica em um evento desses é raro.
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O recorte do tema. Muito do que se publica sobre povos indígenas e clima trata os indígenas como categoria homogênea ou como sujeitos de pesquisa antropológica. Esse estudo escolheu a juventude especificamente, e a tratou como protagonista. É mudança de moldura.
A RDS Rio Negro
A reserva fica na margem esquerda do rio Negro, na região metropolitana de Manaus. Reúne comunidades ribeirinhas e indígenas que dividem território de forma cotidiana, com conhecimento profundo da dinâmica do rio e da floresta. É um dos lugares mais visitados por pesquisadores climáticos no estado — e um dos onde a juventude tem usado mais o YouTube e o Instagram para documentar o próprio território.
Com base no Portal Embrapa e Portal Único.
Redação Nortícia
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.


