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Nortícia CulturaSão João na Capital

Abertura dos Arrastões do Pavulagem reúne cortejo fluvial e mastros em Belém

Programação começa com travessia pela Baía do Guajará e show gratuito na Praça Waldemar Henrique, dando o tom das festas juninas.

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Karina Pinheiro
Pará · AM
09 de jun. de 2026
publicado
2 min
de leitura · 525 palavras
Barcos coloridos atravessam a Baía do Guajará durante cortejo fluvial do Pavulagem em Belém.
Programação começa com travessia pela Baía do Guajará e show gratuito na Praça Waldemar Henrique, da · Foto: Redação Nortícia

O cheiro de breu queimado e o mormaço que sobe do asfalto molhado avisa que o ciclo mudou. Na Praça Waldemar Henrique, antes mesmo do sol se pôr, o ar já carrega o rumor de gente chegando e o som grave, quase gutural, dos tambores do Carimbó SANCARI. É desta quinta-feira (11) a ressaca que abre os Arrastões do Pavulagem de 2026, quando o São João deixa de ser promessa de calendário e vira barulho de rua e batida de pé no chão de terra batida da capital.

A festa começa antes de pisar no asfalto. É o Cortejo Fluvial, uma travessia que parte do Rio Guamá e desemboca na Baía do Guajará, trazendo a cidade de costas para o centro. Não é só um desfile de barcos, é a lembrança física de que Belém é uma cidade feita de água, de fluxos, de quem passou nas canoas para vender o açaí e hoje vem cantar carimbó. Cerca de 300 integrantes do Arraial do Pavulagem entram nessa travessia, acompanhados pelos SANCARI e por uma leva de brincantes vindos de lá de longe, de Cachoeira do Arari, na Ilha do Marajó.

Trazer o marajoara para o centro de Belém é um ato de conexão. Enquanto as barcas cortam a água escura da baía, os mestres de Cachoeira trazem na bagagem o ritmo de quem toca carimbó no terreiro de casa, sem microfone, só com a força da voz e o couro do tambor. Eles vêm encontrar o Arraial do Pavulagem, agremiação que transformou o arrastão em escola de rua, misturando a quadrilha junina com a cultura popular de raiz.

O Levantamento dos Mastros de São João que acontece na sequência é o momento de erguer o símbolo. Não é um poste qualquer; é a árvore que vai sustentar as ladainhas e os forrós até o dia 5 de julho. É o marco de que a época de chuva e fartura começou de verdade. O mastro sobe, e com ele a expectativa dos domingos que vêm pela frente: 14, 21 e 28 de junho, datas em que os arrastões vão tomar conta de outros cantos da cidade.

Depois da água e do mastro, vem o show. O Arraial do Pavulagem sobe ao palco da Praça Waldemar Henrique para mostrar que o forró pé-de-serra e o carimbó têm parentesco. É um som feito para fazer o povo pular, mas com a qualidade musical de quem estuda a tradição para não deixá-la virar paródia. A entrada é franca, o que é raro e bonito num tempo em que quase tudo tem portão.

Quem for, vai ver que o São João do Pará não é aquele da decoração de chão de loja de departamentos. É suado, é cheio de jambu, é de quem dança agarrado mas respeita o passo da dama. É a cultura viva saindo dos terreiros de Marituba e das ilhas para ocupar a praça pública.

A abertura acontece na Praça Waldemar Henrique, no Comércio, a partir das 16h. O show gratuito começa logo após o levantamento dos mastros. Quem quiser pegar o melhor ângulo do cortejo fluvio, chegou cedo à orla da baía, perto do Mercado Ver-o-Peso.

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◆ Repórter · Nortícia Cultura

Karina Pinheiro

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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