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Emergência em saúde no Acre libera verbas para mais leitos de SRAG

Com alta de 35% nos registros de SRAG, governo do estado autoriza contratação e abertura de novos leitos para atender a demanda nos hospitais.

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Ananda Rocha
Acre · AM
04 de jun. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 728 palavras
Fila de pessoas espera atendimento na Urgência e Emergência da Fhemoa em Rio Branco.
Com alta de 35% nos registros de SRAG, governo do estado autoriza contratação e abertura de novos le · Foto: Redação Nortícia

Dona Maria Helena Santos, 52 anos, segurava o frasco de xarope com uma mão e o bracelete de identificação do neto com a outra. As 7h da manhã desta sexta-feira (5), o corredor da Urgência e Emergência da Fundação Hospitalar do Estado do Acre (Fhemoa), no bairro 2 de Setembro em Rio Branco, já não tinha cadeiras livres. O menino de 8 anos, com tosse e febre, esperava há três horas para ser atendido. "A gente procurou o posto perto de casa, mas não tinha médico. Tivemos que correr pra cá, e olha a fila", disse ela, apontando para dezenas de pessoas, muitas com máscaras cirúrgicas, amontoadas na sala de espera.

A cena de lotação e respiração ofegante saiu dos gráficos da vigilância epidemiológica e tomou conta dos corredores da saúde pública no Acre. O estado vive um aumento preocupante nos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), uma condição que sufoca os pulmões e enche os leitos de UTI. Para tentar dar oxigênio ao sistema, o governo do Acre decretou situação de emergência em saúde pública na quinta-feira (4). Não é apenas um documento burocrático: é a chave que abre o cofre para contratar gente e comprar remédio mais rápido.

Os números justificam o nervosismo de dona Maria Helena. Entre o dia 4 de janeiro e o último sábado (30), o Acre registrou um salto de 35,6% nos casos de SRAG em comparação ao ano passado. Para se ter uma ideia, no mesmo período de 2025, o estado contabilizava 1.060 casos. Em 2026, o número subiu para 1.438 registros. São quase 400 pessoas a mais procurando hospitals com dificuldade para respirar em apenas poucas semanas.

No bairro Bosque, na zona Sul, o comerciante Raimundo Nonato, 64 anos, conta que a vacinação contra a influenza andava devagar no posto local. "Fui lá terça-feira e tinha acabado a dose da gripe. Disseram que ia chegar mais, mas tá demorando", reclamou. A falta de proteção na porta de entrada deixa os idosos, que são o grupo de risco, na mira do vírus. Raimundo decidiu voltar para casa e se isolar, com medo de pegar algo na fila de espera.

A Secretaria de Saúde do Acre (Sesacre) reconhece que a rede está sob pressão. Segundo a diretora de Atenção Primária e Vigilância em Saúde e Ambiental, Suane Souza, o decreto de emergência tira o estado da inércia administrativa. "Esse decreto é uma medida para que a gente consiga reforçar a nossa rede de saúde com a ampliação de leitos, fazer a contratação de profissionais e poder traçar medidas estratégicas com o apoio do Ministério da Saúde. Com isso, podemos receber mais rápido insumos e equipamentos", explicou a gestora.

Com o decreto assinado, o monitoramento da ocupação dos leitos hospitalares passa a ser diário e rigoroso. Se os números de ocupação baterem no teto, a Sesacre está autorizada a abrir novos leitos de enfermaria e UTI sem esperar as licitações demoradas de sempre. A ideia é evitar o que os médicos chamam de 'gargalo': o paciente precisa de internação, mas não tem vaga, e fica preso na emergência tomando o lugar de quem acabou de chegar.

A diretora também reforçou que a vacinação é a principal arma agora. O decreto deve acelerar a compra e distribuição de doses, além de permitir campanhas de busca ativa. "A vacina salva, e precisamos que a população vá aos postos", completou Suane. O Ministério da Saúde deve enviar lotes extras de imunizantes e antivirais para o estado nos próximos dias, considerando a medida de emergência.

Enquanto as verbas não caem e os leitos não abrem, a recomendação para quem tem sintomas – febre alta, tosse, dor de garganta e falta de ar – é evitar ao máximo a emergência da Fhemoa, a não ser em casos graves. A rede de Unidades Básicas de Saúde (UBS) está capacitada para fazer o primeiro atendimento e a prescrição de medicamentos. Em Rio Branco, as salas de vacina da USF Conquista, USF 6 de Agosto e do Polo de Saúde da Cadeia Velha funcionam de segunda a sexta, das 8h às 17h.

Em caso de piora súbita, dificuldade respiratória ou confusão mental, o SAMU 192 deve ser acionado imediatamente. A Secretaria de Saúde pede que a população mantenha o cartão de vacina em dia e não descarte o uso de máscaras em locais fechados e lotados, como hospitais e farmácias.

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◆ Repórter · Nortícia Cidades

Ananda Rocha

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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