Adolescente morre após disparo de espingarda em Itacoatiara, diz PM
Jovem de 15 anos foi atingido no olho esquerdo; pai relatou tentativa de desarmar o filho em sítio na AM-010.
A Polícia Civil de Itacoatiara instaurou inquérito para apurar as circunstâncias da morte de um adolescente de 15 anos, atingido por um disparo de espingarda na zona rural do município, no último sábado (6). O ocorrido aconteceu por volta das 16h43, no Sítio Monte Verde, localizado no quilômetro 201 da rodovia AM-010.
Segundo o Boletim de Ocorrência registrado pelo 2º Batalhão da Polícia Militar (2º BPM), a equipe de policiamento da comunidade Vila de Lindóia foi acionada após uma denúncia de disparo de arma de fogo em uma residência. Ao chegar ao local, os militares encontraram o corpo da vítima, identificada como K.R.A., 15 anos.
A versão prestada pelo pai do adolescente à autoridade policial relata que o jovem teria passado a manhã apresentando comportamento agitado e discutindo com familiares. Conforme o depoimento, K.R.A. teria se trancado em um dos quartos da casa e, em seguida, aparecido na porta portando uma espingarda artesanal de calibre 36.
O genitor informou que tentou abordar o filho para retirar a arma das mãos dele. Durante o desenrolar da ação, a espingarda disparou, atingindo o adolescente na região do olho esquerdo. Apesar do atendimento imediato, a morte foi constatada no local.
A arma de fogo, uma "troca-troco" artesanal, foi apreendida pela Polícia Militar e encaminhada para exames periciais. O Instituto de Criminalística (IC) deve analisar o material para verificar se houve falha mecânica no equipamento ou se o disparo decorreu da manipulação durante a luta corporal.
O uso de armas de fogo artesanais, conhecidas na região como espingardas de tambor, é recorrente nas zonas rurais do Amazonas para defesa e caça, mas representa alto risco devido à falta de mecanismos de segurança. Delegados da região apontam que disparos acidentais durante a manipulação desses equipamentos compõem uma parcela significativa dos registros de lesão corporal e morte não intencional no interior.
O caso foi registrado na Delegacia de Polícia Civil (DIP) de Itacoatiara como homicídio doloso ou culposo, a depender das perícias. A investigação busca ouvir outras testemunhas presentes no sítio e cruzar o depoimento do pai com as evidências forenses, como a resina de pólvora nas mãos das partes envolvidas e a trajetória do projétil.
O corpo do adolescente foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de Itacoatiara para a realização do exame necroscópico. O laudo cadavérico deve confirmar a causa mortis e apontar se a distância do tiro é compatível com a versão de luta corporal narrada pela família. Além da investigação criminal, a Polícia Civil avalia a necessidade de encaminhar o caso para o Conselho Tutelar e demais órgãos de proteção à infância e adolescência.
Diego Câmara
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.



