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Nortícia BoaResgate na Zona Leste

Cães caem em bueiro após briga e são resgatados por bombeiros em Manaus

Após queda em bueiro de mais de dois metros na Rua Topázio, animais foram retirados ilesos por equipe do CBMAM no Tancredo Neves.

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Padre Bruno Sena
Amazonas · AM
09 de jun. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 578 palavras
Boca de bueiro em rua asfaltada de Manaus à noite, com viatura estacionada ao fundo.
Após queda em bueiro de mais de dois metros na Rua Topázio, animais foram retirados ilesos por equip · Foto: Redação Nortícia

Matheus Nascimento, 27 anos, parou o carro numa curva da Rua Topázio, no bairro Tancredo Neves, zona Leste de Manaus. Era noite de segunda-feira, o ar múdo da Amazônia ainda pairava baixo, grudado na calçada. Ele deixou o veículo e foi até a boca do bueiro. Lá embaixo, a dois metros de profundidade na treva do concreto, ouvia-se um ganido rouco, abafado pelas paredes da galeria. Não era gente que pedia socorro, mas a angústia tem a mesma voz em qualquer espécie.

Ele tinha acabado de presenciar o desenrolar da tragédia pequena. Dois cachorros, sem dono aparente naquele momento, cruzaram-se na via. O instinto foi mais rápido que o juízo. "Eles começaram a brigar no meio da rua, foram se aproximando do bueiro e, ao se morderem, um caiu e puxou o outro", Matheus narraria depois, ainda com o choque da imagem na retina. A gravidade não perdoa. O que seria uma disputa de território virou uma queda vertiginosa para a escuridão.

A espera pelo Corpo de Bombeiros parece durar mais do que o relógio registra. O autônomo ficou ali, vigiando a boca de cimento, imaginando se os animais conseguiriam escalar ou se a água da chuva recente subiria. É um sentimento de impotência que nos chega de repente: ver o irmão — mesmo o de quatro patas — em apuros e não ter o braço longo o suficiente para puxá-lo. A cidade corre por fora, carros passam, gente vai para casa, mas ali no buraco o tempo parou.

Quando a guarnição do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas chegou, a luz dos faróis iluminou a cena com uma crueza clínica. O sargento Tiago Silva, chefe da equipe, não fez discursos. Mediu a profundidade, calculou o ângulo, ordenou o preparo do equipamento. O ofício de salvar requer precisão, não apenas boa vontade. Eles trouxeram o cambão, aquela gaiola metálica usada para contenção e transporte. É um objeto rude, mas naquela hora era a única mão que podia descer até o fundo.

Tiago olhou para dentro. A visão é ruim no fundo do bueiro. Só se sente o cheiro de terra úmida e bicho. Aos poucos, a gaiola desceu. O silêncio de quem está em cima, torcendo, contrastava com o metal roçando na borda do tubo. Num momento, um animal entrou. Depois o outro. O cambão subiu, pesado, trazendo vidas de volta para o nível da rua.

No chão, o suspense do estado de saúde. Uma queda de dois metros pode quebrar ossos, cortar vísceras. Os bombeiros fizeram a checagem, tatearam, procuraram ferimentos. Mas não havia nada. Nem arranhões. "Ambos estavam em bom estado de saúde", informou o sargento com a sobriedade de quem está acostumado a ver o acaso pouvar ou levar. O susto tinha sido o preço total.

A soltura foi rápida. Nada de abraços, nada de fotos para o álbum de família. Os dois cachorros, assim que sentiram o chão firme, dispersaram. Um correu para um lado, outro para a direita, sumindo entre as sombras das casas da Rua Topázio. A vida de rua não permite muita gratidão estéril; o instinto é continuar andando, antes que o perigo volte.

Matheus viu os últimos rabinos sumirem. Guardou o carro, acendeu o motor, e seguiu viagem. O sargento recolheu o cambão. A rua voltou ao seu vazio habitual. Mas por alguns minutos, a noite na zona Leste de Manaus tinha sido um altar onde se celebrou apenas uma coisa: a sorte de estar vivo e fora do buraco.

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◆ Repórter · Nortícia Boa

Padre Bruno Sena

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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