Caminhões pegam fogo após acidente na BR-153 em Crixás do Tocantins
Colisão entre veículos que transportavam pneus e tinta interditou a rodovia no km 603; motoristas enfrentam fila de 10 km.
João Batista de Souza, 48 anos, motorista carreteiro, viu a fumaça subir quando ainda estava no quilômetro 600. Ele dirigia uma Scania carregada de soja rumo a Goiás. O cheiro de tinta queimada chegou antes da visão do incêndio. Ao chegar no km 603, em Crixás do Tocantins, a pista estava bloqueada. Dois caminhões colidiram frontalmente e pegaram fogo na manhã desta sexta-feira (19).
O cenário parou o fluxo na BR-153, a principal via de escoamento do Norte. Um dos caminhões transportava pneus, combustível potencial para o fogo; o outro, tinta. A carga inflamável fez com que as chamas tomassem conta das cabines rapidamente. Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), a rodovia foi totalmente interditada em ambos os sentidos para permitir a passagem das viaturas do Corpo de Bombeiros de Gurupi.
"É um caos. A gente perde o dia, perde a carga, e ainda fica nervoso com o risco do tanque explodir", conta João, que tentava realizar uma manobra para dar meia-volta e fugir do calor do asfalto. A temperatura em Crixás ultrapassa os 30 graus nessa época do ano, e não há árvores no acostamento para oferecer sombra. Do lado de fora da cabine, ele não é o único. Há dezenas de motoristas parados, com celulares na mão, informando atrasos para as transportadoras. A fila de veículos já ultrapassa 10 quilômetros.
Maria Aparecida dos Santos, 34 anos, ia de ônibus para Gurupi para uma consulta médica no posto de saúde da cidade. O coletivo da empresa Viação São Francisco estaca há uma hora e meia. "O motorista não fala nada, só a gente vendo a fumaça lá na frente. Minha consulta era às 10h, já passou", reclama Maria, debruçada no banco da janela. Ela mora na zona rural de Crixás e depende dessa linha diária para acessar serviços básicos. Sem ar-condicionado potente no veículo parado, o calor dentro do ônibus começava a ficar insuportável para os passageiros idosos.
O acidente aconteceu numa curva fechada conhecida pelos locais como "Curva da Morte", embora não tenha essa denominação oficial. Moradores de Crixás dizem que o local é palco de batidas frequentes. "Toda semana tem gente passando raspão. Falta sinalização, falta radar, falta faixa segura", afirma o agricultor Sebastião Alves, 55 anos, que mora a 500 metros do local do acidente. Ele correu para a rua ao ouvir o estrondo e ajudou a afastar curiosos para não atrapalhar o resgate. "Bastou o sol subir para o asfalto ficar liso", completa.
A PRF informou, por meio de nota, que equipes de trânsito foram deslocadas para organizar o desvio em uma vicinal próxima, mas o piso da estrada alternativa é de terra batida e pode dificultar a passagem de veículos grandes, especialmente caminhões-tanque. O Corpo de Bombeiros de Gurupi trabalha com duas viaturas para controlar o incêndio e resfriar os pneus, que continuam estourando com o calor, gerando barulho alto e risco de projéteis na pista.
A interdição deve durar pelo menos mais três horas, segundo estimativa dos próprios bombeiros no local. O trecho é crítico para o escoamento da safra de soja do Tocantins, e o impacto econômico do fechamento de uma manhã inteira ainda será calculado pelas cooperativas da região. Motoristas que precisam seguir viagem devem sintonizar a rádio local ou acessar o site da PRF para atualizações em tempo real. Em caso de emergência na pista, o número de contato da PRF é o 191.
Ananda Rocha
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.



