Chuva forte alaga pontos de Belém e paralisa transporte no centro
Tormentas da madrugada deixaram água acima do meio-fio na Gentil Bittencourt; passageiros precisaram descer de ônibus.
Dona Maria de Lurdes, 52 anos, subiu no ônibus 015 no bairro do Sacramenta às 6h10 desta quarta-feira. Quinze minutos depois, ela estava descalça na calçada da Avenida Gentil Bittencourt, no centro de Belém. A água da chuva, que misturava com o lixo da rua, invadiu o coletivo e forçou o motorista a parar o veículo.
A chuva forte que caiu sobre a capital nesta madrugada transformou a rotina de quem sai cedo para trabalhar em um calvário de deslocamento. O temporal começou por volta das 5h30 e, em menos de uma hora, deixou a via pública interditada entre a Rua João Diogo e a Rua 28 de Setembro. Carros boiaram e ônibus ficaram ilhados, formando uma fila que se estendia até a Almirante Barroso.
Segundo a Defesa Civil de Belém, o acumulado de chuva atingiu 45 milímetros em apenas uma hora. O alerta de "atenção" foi dado às 6h, quando as equipes já começavam a receber chamados de alagamentos. Foram registrados pelo menos oito pontos críticos na cidade, sendo três com tráfego completamente interrompido, além de queda de árvores no bairro do Umarizal.
Seu José Raimundo, 58 anos, tenta o sustento vendendo sucos no trecho. Ele correu para cobrir o carrinho com um plástico, mas a água levou a caixa de isopor com os frutas. "Isso aqui é uma bola de neve. Ano que vem é ano, e a água volta a descer. Não tem galeria que aguenta esse volume todo", diz ele, enquanto empurra a lama com um rodo de madeira, procurando salvar o que restou do estoque.
Ana Paula Souza, 24 anos, estudante de Pedagogia, perdeu a prova substituta da manhã. Ela estava no ônibus 403, preso atrás de um caminhão que pifou no meio da enchente. "O motorista nem avisou direito, só abriu a porta e disse 'o ponto final é aqui'. Tive que voltar para casa andando pela beira da calçada, com água no tornozelo", relata.
A Superintendência de Engenharia e Transportes (Setran), através da assessoria, informou que as equipes de manutenção foram acionadas às 6h30 para vistoriar as galerias pluviais. A nota oficial diz que o volume de chuva foi superior à capacidade de drenagem do sistema antigo da região central, mas garante que o serviço de desobstrução foi feito assim que o nível da água baixou.
O problema na Gentil Bittencourt é antigo e recorrente. Moradores e comerciantes contam que toda chuva forte acima de 30 minutos leva ao alagamento. No Plano Municipal de Drenagem, cujas obras foram previstas para começar em 2025, a troca das tubulações deste trecho é uma prioridade, mas o canteiro ainda não foi aberto. Enquanto isso, a chuva dita o ritmo da cidade.
Quem sofreu danos em imóveis ou perdas materiais pode registrar ocorrência pelo telefone 156 ou pelo aplicativo "Ouvidoria Belém". Para acompanhar o trânsito, a Companhia de Trânsito e Transporte Urbano (CTTU) atualiza as interdições em tempo real nas redes sociais oficiais.
Ananda Rocha
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.


