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Nortícia SegurançaCaso Bruno e Dom

Justiça Federal leva 'Colômbia' a júri popular por mortes de Bruno e Dom

Juíza aceita acusação de MPF e remete suspeito de ser mandante dos crimes em Atalaia do Norte a julgamento.

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Diego Câmara
Amazonas · AM
08 de jun. de 2026
publicado
2 min
de leitura · 490 palavras
Documento judicial prolatado no caso Bruno e Dom sobre mesa de trabalho.
Juíza aceita acusação de MPF e remete suspeito de ser mandante dos crimes em Atalaia do Norte a julg · Foto: Redação Nortícia

A Justiça Federal do Amazonas decidiu submeter Rubén Dario da Silva Villar, conhecido como 'Colômbia', a julgamento pelo Tribunal do Júri pela suposta autoria de mandato nos homicídios do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips. A sentença de pronúncia, assinada pela juíza federal Cristina Lazzari Souza na última sexta-feira (7) e divulgada neste sábado, acata integralmente a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) de que há indícios suficientes da materialidade e autoria do crime.

Segundo a acusação, R.D.S.V., 57 anos, seria o financiador de uma organização criminosa dedicada à pesca ilegal de peixes ornamentais e de couro na Terra Indígena Vale do Javari. O MPF sustenta que o ordenamento das mortes teria como motivação a retaliação contra o trabalho de fiscalização ambiental realizado por Bruno Pereira, que atrapalhava as atividades ilícitas do grupo. O jornalista Dom Phillips seria uma vítima circunstancial por estar acompanhando o indigenista.

Os crimes ocorreram em junho de 2022, na região do entorno dos municípios de Atalaia do Norte e Guajará, no extremo oeste amazonense. Bruno e Dom foram vistos pela última vez na comunidade de São Rafael, navegando pelo rio Itaquaí. As buscas duraram dez dias, até a localização dos corpos e a prisão em flagrante de Amarildo da Costa de Oliveira, o "Pelado", e Jefferson da Silva Lima, o "Jota".

Na decisão, a magistrada cita elementos probatórios coletados durante a instrução processual, incluindo trocas de mensagens telefônicas e dados de geolocalização que colocam o suspeito em contato com os executores na data dos fatos. O inquérito policial, conduzido pela Polícia Federal, apontou que 'Colômbia' teria repassado recursos e munições para o grupo que agia na região. A atuação de grupos armados na área fronteiriça tem sido alvo de monitoramento constante pelas autoridades federais.

A decisão é um desfecho para a fase de formação da culpa, distinguindo a atuação do mandante dos executores materiais. Amarildo da Costa de Oliveira já foi condenado a 35 anos de prisão pelo homicídio duplo qualificado e ocultação de cadáver. O terceiro acusado, Oseney da Costa de Oliveira, aguarda julgamento. A prisão preventiva de 'Colômbia' foi decretada em 2023, quando ele foi localizado em uma operação da PF em Atalaia do Norte.

A defesa de Rubén Dario da Silva Villar, que contesta as acusações alegando ausência de provas diretas de sua participação nos disparos, será intimada da pronúncia. A partir de agora, o processo segue para a fase de preparação do julgamento pelo júri, onde os sete cidadãos sorteados decidirão sobre a condenação ou absolvição do réu com base nos autos.

Para o Ministério Público Federal, a condenação de 'Colômbia' é essencial para o desmantelamento da estrutura de comando que permitiu a ação dos executores materiais. O julgamento popular será a etapa definitiva para a responsabilização pelo caso que expôs a vulnerabilidade dos povos isolados do Javari e o conflito fundiário na região. A data para o júri será marcada pela 2ª Vara Federal Criminal de Manaus.

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◆ Repórter · Nortícia Segurança

Diego Câmara

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.