Coreografia de RCP na formatura de Medicina em Manaus viraliza nas redes
Formandos de Medicina encenam parada cardiorrespiratória em coreografia de formatura em Manaus. Vídeo com 500 mil views mistura técnica médica e ritmo de festa.
Ian Gomes, 24 anos, toma um gole de água, afina o microfone e joga o corpo no chão do salão de festas, em Manaus. Ao redor dele, a luz baixa e o som de uma sirene de ambulância corta a música eletrônica. Não é uma chamada de emergência no Hospital Getúlio Vargas, é o número principal da festa de formatura da turma de medicina.
A encenação de uma parada cardiorrespiratória (PCR) virou viral nas redes sociais na última semana. O vídeo, que já soma mais de 500 mil visualizações, mostra o grupo de ex-alunos aplicando as técnicas de ressuscitação cardiopulmonar (RCP) em uma coreografia ensaiada. Entre compressões e "ventilações", o objetivo era mostrar o que eles aprenderam em cinco anos de faculdade sem perder o clima de festa.
"A gente pensou em fazer algo divertido e que tivesse relação com a nossa formação. Como a RCP é um procedimento que todos aprendem durante a graduação, surgiu a ideia de simular a parada cardiorrespiratória", conta Ian Gomes, um dos organizadores da apresentação. Ele explica que a intenção era apenas o entretenimento, sem o compromisso de reproduzir fielmente um protocolo de atendimento real.
Para tirar a ideia do papel, os formandos chamaram Brunno Athayde. O coreógrafo, que já montou apresentações para o Boi Caprichoso, traduziu os movimentos médicos para a dança. "Ele trouxe a experiência dos bois para a nossa festa. Foi uma semana de ensaio intenso, mas valeu cada hora", diz Ian. No palco, efeitos sonoros de batimentos cardíacos e uma dramatização teatral do atendimento completaram o espetáculo.
A plateia, composta por familiares e colegas de outras turmas, reagiu com aplausos e risadas. A integração entre o drama da emergência e o ritmo da festa fez o vídeo circular rapidamente em grupos de WhatsApp e Instagram. Para quem está fora do contexto, o susto inicial do som da sirene é rapidamente substituído pela percepção de que se trata de uma homenagem à profissão.
Agora médicos, o grupo segue para os estágios e residências, mas o registro daquela noite ficou guardado no celular de dezenas de convidados. A cidade, que vive agitada nos postos de saúde e pronto-socorros, viu, por alguns minutos, a rotina desses profissionais ser transformada em arte.
Ananda Rocha
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.


