Exército atravessa selva para reforçar presença no extremo Norte
Militares completam 150 km até o Monte Caburaí, em Roraima, em missão de vigilância de fronteira com a Guiana.
A soberania na Amazônia não se mantém apenas no papel. Exige presença física, lama, suor e logística impecável. Foi isso que fizeram onze militares do Exército Brasileiro em Roraima. O grupo, ligado ao 6º Pelotão Especial de Fronteira (PEF), embarcou em uma missão de reconhecimento com destino ao Monte Caburaí. O local não é qualquer ponto: é o extremo Norte do Brasil, a linha que divide nosso território da Guiana.
A operação começou no dia 16 de maio e se estendeu por seis dias. O objetivo era claro, mas a execução complexa. Realizar a vigilância do território e atualizar o levantamento estratégico da área exigiu que os militares atravessassem um dos ambientes mais inóspitos do Norte brasileiro. Não se trata apenas de chegar, mas de percorrer, entender e marcar presença onde o acesso é escasso e as comunicações, difíceis.
Desafios logísticos na floresta
A expedição somou 150 quilômetros de deslocamento contínuo. Não há estradas asfaltadas para o Monte Caburaí. A logística militar precisa se adaptar ao terreno. A primeira etapa, cobrindo 80 quilômetros, foi feita por viaturas motorizadas. Contudo, a máquina encontra limites na floresta densa. O restante da jornada dependeu de força humana e apoio fluvial.
Cerca de 20 quilômetros foram vencidos por via fluvial, navegando rios que cortam a região de Uiramutã. O desafio mais físico, porém, veio a seguir. Para chegar ao marco exato no topo do monte, os militares precisaram caminhar 50 quilômetros a pé. É uma travessia que testa a resistência física e técnica da tropa em terreno de selva, onde cada passo exige atenção redobrada.
O ponto culminante foi alcançado na quinta-feira, 21 de maio, por volta das 12h30. Lá em cima, a vista é da Guiana e do Brasil, mas a missão é puramente estratégica. Garantir que o marco fronteiriço está intacto e que a presença brasileira é sentida é a prioridade. O grupo permaneceu na área cumprindo os procedimentos padrões de vigilância antes de iniciar o retorno.
Retorno aéreo e segurança
Depois de dias desgastantes na selva, o regresso ao pelotão não seguiu o mesmo caminho. O Exército utilizou a capacidade aérea para agilizar a retirada dos militares. No sábado, 23 de maio, um helicóptero do 4º Batalhão de Aviação do Exército sobrevoou a região. O resgate foi realizado com o apoio do Comando Conjunto Centro.
Essa modalidade de extração é comum em operações de longa duração na selva. O retorno por helicóptero economiza a tropa, evitando mais dias de marcha extenuante e reduzindo os riscos de acidentes ou fadiga acumulada. A coordenação entre a infantaria de selva e a aviação do exército é fundamental para o sucesso dessas expedições em Roraima.
Manter a faixa de fronteira sob vigilância constante é uma tarefa árdua. Expedições como a do Monte Caburaí acontecem regularmente, mas nem sempre ganham notoriedade. São elas, no entanto, que asseguram que o extremo Norte do país continue sendo brasileiro. A missão encerrou com sucesso, cumprindo o ciclo de presença na região de Uiramutã.
Com base em g1-rr.
Curadoria Nortícia
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.
Leia também —
ver mais em Política →
Nortícia PolíticaEstudante morre após ônibus escolar tombar em Paranã, no TO
Nortícia PolíticaChuva isola Normandia após rompimento da BR-401
Nortícia Política