Falso contador com 58 registros na polícia é preso preventivamente em Boa Vista
Homem de 36 anos aplicou golpes financeiros se passando por profissional contábil; vítima assumiu dívida de veículo fraudado.
A Polícia Civil de Roraima cumpriu, na manhã desta segunda-feira (8), mandado de prisão preventiva contra um homem de 36 anos no bairro Senador Hélio Campos, zona Oeste de Boa Vista. O suspeito, identificado como A.A.S., foi detido sob acusação de estelionato qualificado e falsa identidade funcional. A ação foi conduzida pela Delegacia de Repressão a Estelionatos e Outras Fraudes (DREOF), após investigações que comprovaram a atuação ilegal do investigado como contador sem habilitação profissional.
O inquérito policial teve origem em 18 de fevereiro, quando um comerciante compareceu à unidade policial para registrar ocorrência. Segundo o relato da vítima constante nos autos, ele teria contratado os serviços de A.A.S. para obtenção de crédito e consultoria contábil. Confiança estabelecida, o comerciante entregou documentos pessoais e dados bancários sensíveis. A investigação apurou que, ao invés de regularizar a situação financeira do cliente, o suspeito utilizou as informações para contrair um financiamento bancário para aquisição de um veículo zero quilômetro.
As perícias técnicas e a análise documental demonstraram que A.A.S. teve acesso ao crédito em nome da vítima e recebeu o bem. Posteriormente, o automóvel foi transferido para terceiros mediante venda irregular. O prejuízo material direto calculado até o momento envolve valores transferidos pelo comerciante ao suposto contador, somando mais de R$ 7 mil, além da assunção passiva da dívida bancária. O financiamento fraudado contempla 48 parcelas no valor de R$ 1.817 cada, cuja responsabilidade de pagamento recai sobre a vítima que não recebeu o veículo.
A corroborar a denúncia, a Polícia Civil reuniu extenso material probatório. Dois dias após o registro do BO, o comerciante retornou à delegacia portando extratos bancários, gravações de áudio e prints de conversas em aplicativo de mensagens. Nas negociações capturadas, o suspeito exige pagamentos referentes a taxas de serviço e 'agilização' de processos que nunca foram efetivamente realizados. A checagem junto ao Conselho Regional de Contabilidade (CRC) confirmou que A.A.S. não possui registro profissional, configurando o exercício ilegal da profissão.
Um dos pontos de destaque do inquérito é a reincidência do investigado. Ao consultar os sistemas de informação criminal, a equipe policial constatou que A.A.S. possui antecedentes criminais extensos. São 58 registros de ocorrência distribuídos entre as delegacias de Roraima, a maioria por crimes contra o patrimônio, fraudes e estelionatos. O histórico de alta periculosidade fundamentou o pedido de prisão preventiva acatado pela Justiça, visando interromper o ciclo de fraudes e proteger novos potenciais investidos.
A delegacia responsável pelo caso ressalta que a modalidade de golpe envolvendo profissionais liberais falsos tem crescido na capital. O suspeito se valia de suposta expertise em contabilidade para ganhar a confiança de pequenos empresários e pessoas em busca de crédito rápido. Após o recebimento dos valores ou a captação de dados, a comunicação cessava, impossibilitando a recuperação dos recursos sem intervenção policial.
A.A.S. foi encaminhado à Unidade Prisional de Boa Vista. A prisão preventiva, prevista no artigo 312 do Código de Processo Penal, foi decretada para garantia da ordem pública e conveniência da instrução criminal, dado o risco de o investigado continuar a praticar delitos se mantido em liberdade. O inquérito segue em tramitação na 2ª Vara Criminal de Boa Vista. A defesa técnica do suspeito será intimada a apresentar resposta à acusação nos prazos legais.
Diego Câmara
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.
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