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Garça ferida por urubus aguarda horas por resgate em Praça Batista Campos

Moradores de Belém denunciam demora do Batalhão de Polícia Ambiental ao atender ave atacada no centro da capital. Vítima de urubus.

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Ananda Rocha
Pará · AM
08 de jun. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 657 palavras
Garça-branca ferida repousa na grama da Praça Batista Campos, em Belém, cercada por urubus.
Moradores de Belém denunciam demora do Batalhão de Polícia Ambiental ao atender ave atacada no centr · Foto: Redação Nortícia

A jardineira Maria Helena Souza, 45 anos, parou a poda do ipê amarelo às 7h50 da manhã deste domingo (8) quando viu o movimento estranho na grama recém-cortada. Uma garça-branca-grande, com a asa esquerda ensanguentada, tentava inutilmente se levantar no canteiro central da Praça Batista Campos, em Belém. Ao redor da ave, pelo menos seis urubus-de-cabeça-preta caminhavam em círculos, esperando o momento certo para o próximo bico.

"Eles ficam esperando a gente ir embora para atacar de novo", relata Maria Helena, que trabalha na manutenção da praça há seis anos. Ela percebeu que a garça não conseguia voar e que uma das pernas estava torta. O ataque dos urubus tinha perfurado a asa da ave, que sangrava no meio das camélias do jardim.

O protocolo, para quem trabalha ali, é ligar para o Batalhão de Polícia Ambiental (BPA). Maria Helena fez a chamada às 8h05. Do outro lado da linha, a central de operações da Polícia Militar anotou o endereço — Avenida Governador José Malcher, esquina com Travessa Quatorze de Março — e garantiu o envio de uma equipe. A orientação foi não tocar no animal para não estressá-lo ainda mais.

Acontece que o relógio da Igreja de Nazaré bateu meio-dia e a guarnição ainda não tinha aparecido. A praça, que começa o dia vazia, estava lotada de famílias fazendo piquenique e corredores. A garça continuava imóvel, debilitada pelo sol forte e pela perda de sangue. Os urubus, persistentes, pousavam nos galhos das árvores mais altas.

"Eu fiquei com pena, fiquei olhando da minha varanda, mas não tinha o que fazer", conta o aposentado Raimundo Nonato, 68 anos, morador do terceiro andar do edifício vizinho à praça. Ele diz que já viu esse filme antes. "Mês passado teve um esquilo que caiu da árvore e morreu, demorou três dias para a prefeitura recolher. O cheiro era insuportável".

Por volta das 13h30, um estudante de biologia que passava pelo local tentou abordar a ave para colocar uma caixa de papelão por cima, protegendo-a do sol e dos predadores. A garça reagiu com um gago fraco, mas o movimento chamou a atenção de um guarda civil municipal que fazia ronda. O guarda confirmou que a equipe ambiental estava em deslocamento, mas não soube dizer de onde ela vinha.

Só no fim da tarde, após mais de oito horas do chamado inicial, uma viatura do BPA entrou na praça. Os policiais ambientais envolveram a garça em uma toalha e a colocaram na caixa de transporte. A ave foi levada para uma clínica veterinária parceira da corporação. Em nota oficial divulgada posteriormente, a Polícia Militar informou apenas que "o resgate foi realizado com sucesso e o animal segue em tratamento". O texto não traz explicações sobre a demora nem sobre o protocolo de emergência para casos de maus-tratos em área pública.

Moradores questionam a logística. A Praça Batista Campos é o pulmão do centro de Belém, um ponto turístico e de lazer que recebe milhares de visitas nos fins de semana. Para quem liga pedindo socorro, esperar metade de um dia parece desproporcional. "Se fosse uma pessoa agredida, a ambulância chega em dez minutos. Por que com um bicho tem que ser diferente?", questiona a moradora Maria Helena.

O Código de Meio Ambiente do Município prevê a proteção da fauna urbana, mas a execução depende muitas vezes do Batalhão de Polícia Ambiental, que atende ocorrências em toda a região metropolitana. A sobrecarga da equipe é apontada por especialistas como um dos gargalos para a preservação da vida silvestre na capital.

Casos de animais feridos ou em risco na Praça Batista Campos e em áreas públicas de Belém devem ser notificados imediatamente ao Batalhão de Polícia Ambiental pelo número 190, solicitando a guarnição de meio ambiente. É importante pedir o número de registro da ocorrência para acompanhar o deslocamento. O contato também pode ser feito pela Ouvidoria da Prefeitura, através do aplicativo Belém 156, anexando fotos e a localização exata do animal.

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◆ Repórter · Nortícia Cidades

Ananda Rocha

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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