Justiça aceita denúncia e torna réu suspeito de matar vigia em Palmas
Réu deve responder por crime ocorrido após discussão por vaga irregular; suspeito foi preso após três meses foragido.
A 1ª Vara Criminal de Palmas recebeu a denúncia do Ministério Público (MP) contra Waldecir José Lima Júnior, formalizando a posição deste como réu na ação penal que apura o homicídio do vigia Dhemis Augusto Santos. A decisão judicial, proferida nos últimos dias, validou a acusação sob a alegação de existência de justa causa, baseada no conjunto probatório colhido durante o inquérito policial. Para o magistrado, os elementos indicativos de autoria e a prova da materialidade são suficientes para o oferecimento da denúncia e o início do processo-crime.
O crime que motiva a ação penal ocorreu em dezembro de 2025, nas dependências do estacionamento de um shopping center na capital tocantinense. Segundo apurado na fase de inquérito, a vítima, de 34 anos, estava em serviço quando abordou o suspeito. A razão do conflito teria sido a ocupação irregular de uma vaga por um automóvel de luxo de propriedade de Waldecir. Testemunhas ouvidas pela autoridade policial relataram que a discussão escalou rapidamente, culminando em disparos de arma de fogo contra o segurança.
A perícia técnica realizada pelo Instituto de Criminalística (IC) do Tocantins confirmou que a causa mortis foi lesão provocada por projétil de arma de fogo, atingindo regiões vitais. O laudo pericial, junto com as imagens das câmeras de segurança do local, compôs o corpo de provas fundamental para a acusação. As gravações de vídeo captaram o momento da abordagem e o momento exato dos tiros, permitindo à Polícia Civil identificar o veículo e rastrear a trajetória do suspeito até a sua residência.
Durante a investigação, a Delegacia Especializada de Homicídios constatou que Waldecir José Lima Júnior havia se evadido da região logo após o fato. Ele permaneceu foragido por mais de três meses, contando com o auxílio de terceiros para ocultar seu paradeiro, segundo informações da polícia. A localização ocorreu em fevereiro de 2026, quando a equipe de investigação cumpriu mandado de busca e apreensão na casa da sogra do investigado, no setor Taquari, em Palmas, onde ele foi encontrado e detido.
Com a prisão em flagrante convertida em preventiva, os autos foram remetidos ao Ministério Público, que ofereceu a denúncia pelo crime de homicídio doloso. Ao analisar o caso, a 1ª Vara Criminal entendeu que a manutenção da custódia é necessária para a garantia da ordem pública e para a aplicação da lei penal. O juiz determinou ainda a citação do réu, intimando-o a apresentar sua resposta à acusação por escrito, no prazo legal de dez dias, contados a partir do cumprimento do mandado judicial.
Na decisão, houve ainda o deferimento do levantamento do sigilo do inquérito policial. A medida permite que a defesa técnica tenha pleno acesso ao conteúdo das investigações, incluindo depoimentos testemunhais, laudos e relatórios, exercendo assim o direito ao contraditório e à ampla defesa. A defesa de Waldecir, já constituída nos autos, poderá alegar eventuais nulidades ou requerer a absolvição sumária caso entenda que a conduta não configura crime ou que o réu estava amparado por uma excludente de ilicitude.
O processo agora segue a tramitação normal na Justiça comum do Tocantins. Após a apresentação da resposta por escrito, o Ministério Público terá vista dos autos para manifestação sobre as preliminares. O próximo passo marcado na rotina processual é a audiência de instrução e julgamento, onde serão ouvidas as testemunhas de acusação e defesa, bem como interrogado o réu. Waldecir segue recolhido em unidade prisional do sistema penitenciário estadual, aguardando o desfecho da instrução criminal.
Diego Câmara
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.
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