Pé encontrado na BR-010 em Palmas segue sem identificação após 15 dias
Peça anatômica recolhida em maio aguarda laudo do IML; polícia investiga ligação com acidente fatal que vitimou jovem de 22 anos.
Uma peça anatômica correspondente a um pé humano, localizada às margens da BR-010, no trecho que corta o Setor Machado, em Palmas, permanece sem identificação conclusiva no Instituto Médico Legal (IML) 15 dias após o seu recolhimento. O material, que apresentava adiantado estado de decomposição no momento do encontro, foi encontrado na manhã do dia 20 de maio por uma transeunte que realizava caminhada na região. Ao avistar o objeto, a mulher acionou a Polícia Militar, que isolou a área e acionou a perícia da Polícia Civil para o levantamento de vestígios e o transporte da peça para a unidade forense.
A principal linha de investigação adotada pela autoridade policial aponta para a possibilidade de o membro inferior pertencer a Jhenyfer Camilly Alves dos Santos, de 22 anos. A hipótese se baseia na correlação temporal e espacial com um acidente de trânsito ocorrido na mesma rodovia três dias antes do achado, no dia 17 de maio. Conforme o registro do Boletim de Ocorrência (B.O.) lavrado pela Polícia Rodoviária Federal, a vítima trafegava em uma motocicleta na companhia do marido, com destino ao município de Aparecida do Rio Negro, quando o veículo foi atingido por um automóvel. A violência do impacto resultou na amputação traumática de um dos pés de Jhenyfer, que veio a óbito horas depois em decorrência das lesões graves sofridas, ainda no ambiente hospitalar.
A conexão entre a peça encontrada na via pública e a vítima fatal depende, no entanto, da confirmação pericial. Em nota divulgada no dia 25 de maio, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) do Tocantins informou que a equipe do IML iniciariam análises comparativas para atestar se o material biológico recolhido pertence à jovem. O procedimento padrão para casos de fragmentação corporal ou identificação de restos humanos não reconhecíveis visualmente envolve o cruzamento de dados genéticos, o que pode demandar um período técnico variável dependendo do estado de conservação das amostras de DNA coletadas.
Passados mais de duas semanas, o laudo conclusivo ainda não foi oficializado pelas instâncias de perícia. A reportagem buscou a assessoria de imprensa da SSP e a coordenação do IML na tarde desta quarta-feira (4) para obter atualização sobre o andamento dos exames e a data prevista para a entrega do laudo. Até o fechamento desta matéria, não houve retorno dos órgãos públicos sobre o status da diligência.
O impasse técnico gerou angústia junto aos familiares da vítima. Segundo relatos colhidos junto ao círculo íntimo, a mãe de Jhenyfer esteve nas instalações do IML na última sexta-feira (29), onde foi informada por funcionários da instituição que a liberação do resultado estaria condicionada à expedição de uma ordem judicial. A necessidade de intervenção do Judiciário para a liberação de laudos ou para a realização de exames de DNA complementares é um procedimento burocrático que pode ocorrer em situações onde há necessidade de formalizar a cadeia de custódia da prova ou autorizar a coleta de material de referência de familiares diretos para comparação genética, caso o perfil da vítima não esteja disponível em bancos de dados.
Enquanto o laudo não é concluído, o inquérito policial que apura as circunstâncias do acidente de trânsito e o inquérito referente ao achado da peça anatômica tramitam em paralelo. A Polícia Civil aguarda o documento pericial para fundamentar o encerramento das diligências sobre a identificação e, posteriormente, autorizar a entrega do restante mortal à família, caso a confirmação seja positiva. A investigação sobre as causas do acidente que vitimou o casal segue sob análise da PRF para apurar responsabilidades criminais e civis do condutor do automóvel envolvido na colisão.
Diego Câmara
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.
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