ed. #023
nortıcia
nortícia · segurança · amazonas
Nortícia SegurançaSistema Prisional

Investigação aponta uso de celular em cela por Melqui Galvão para coagir vítimas em Manaus

Vídeo entregue à PC-AM mostra suspeito em videochamada no Compaj; irmão, policial civil, é investigado por facilitar entrada de aparelho.

d
Diego Câmara
Amazonas · AM
01 de jun. de 2026
publicado
2 min
de leitura · 441 palavras
Exterior do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), zona norte de Manaus, onde o suspeito cumpre preventiva.
Vídeo entregue à PC-AM mostra suspeito em videochamada no Compaj; irmão, policial civil, é investiga · Foto: Redação Nortícia

A Polícia Civil do Amazonas apura o uso de aparelho celular dentro do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), em Manaus, pelo professor de jiu-jitsu Melquisedeque de Lima Galvão Ferreira, investigado por crimes sexuais. Um vídeo obtido pela autoridade policial registra M.L.G.F. em videochamada realizada do interior da cela, onde o investigado teria tentado coagir vítimas e testemunhas. O material foi entregue à Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) e anexado aos autos do inquérito.

Segundo os investigadores, a gravação foi feita pela pessoa que recebeu a chamada, que preferiu não se identificar por medo de represálias. Na conversa, M.L.G.F. pressionava os interlocutores a não colaborarem com as autoridades. A conduta pode configurar o crime de coação no curso do processo, previsto no artigo 344 do Código Penal, que prevê pena de reclusão de um a quatro anos, além de multa.

A linha de investigação voltou-se também para a origem do aparelho. A principal hipótese apontada pelos delegados é a de facilitação por parte de agentes públicos. O irmão do detido, E.G., policial civil de folha 44, é apontado como suspeito de ter levado o celular até o pavilhão. E.G. encontra-se preso temporariamente desde o último dia 26, acusado de estupro e importunação sexual de duas alunas do projeto social mantido pela família na Zona Leste de Manaus.

A Corregedoria da Polícia Civil instaurou sindicância para apurar a conduta funcional de E.G. Se confirmada a participação irregular, o servidor pode ser enquadrado por infração disciplinar gravíssima, passível de demissão a bem do serviço público. A defesa do policial, em nota técnica, afirmou que ele exerceu apenas o papel de acompanhante familiar e nega qualquer interferência na segurança prisional.

Internamente, a Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc) informou que iniciou procedimento para identificar possíveis falhas de revista no dia da visita. A entrada de aparelhos de telefonia é vedada pela Lei de Execução Penal e considerada falta de natureza grave. O caso será analisado pelo Conselho Disciplinar da unidade, que pode aplicar sanções aos agentes de plantão.

O inquérito principal que investiga M.L.G.F. já conta com mais de cinco representações de vítimas. O Ministério Público do Amazonas (MPAM) acompanha o desfecho das apurações. A defesa do lutador, através de seu advogado, sustentou que as imagens podem ter sido editadas ou retiradas de contexto, mas não apresentou provas nesse sentido até o momento.

A próxima etapa da investigação prevê a oitiva técnica de especialistas em forense digital para autenticar o vídeo e rastrear a origem da conexão utilizada pelo aparelho. O inquérito tramita em segredo de Justiça na 1ª Vara de Crimes Sexuais e Contra a Família de Manaus.

d
◆ Repórter · Nortícia Segurança

Diego Câmara

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

Reportagens como essa, no seu e-mail

Newsletter da Nortícia Segurança

Toda terça, uma carta com o que aconteceu de mais importante em segurança no Norte. Sem agenda, sem partido.