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Nortícia SegurançaSentença em Rio Branco

Justiça determina internação de adolescente por ataque em escola no Acre

Decisão aplica medida socioeducativa por tempo indeterminado ao autor do ataque no Instituto São José que matou duas servidoras em maio.

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Diego Câmara
Acre · AM
19 de jun. de 2026
publicado
2 min
de leitura · 447 palavras
Fachada do Instituto São José, em Rio Branco, local do ataque em maio.
Decisão aplica medida socioeducativa por tempo indeterminado ao autor do ataque no Instituto São Jos · Foto: Redação Nortícia

A Justiça do Acre determinou nesta sexta-feira (19) a internação do adolescente de 13 anos autor do ataque a tiros no Instituto São José, em Rio Branco. A decisão judicial, proferida em primeira instância, converte a internação provisória em medida socioeducativa de internação por tempo indeterminado, em decorrência do ato infracional análogo a duplo homicídio consumado em maio deste ano.

Segundo nota divulgada pelo Ministério Público do Estado do Acre (MP-AC), a sentença foi assinada pela Vara da Infância e Juventude e estabelece o início imediato do cumprimento da medida. A 4ª Promotoria de Justiça Especializada de Defesa da Criança e do Adolescente, que atuou na ação, esclareceu que, embora a sentença fale em tempo indeterminado, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) impõe teto máximo de três anos para este tipo de internação. O adolescente será submetido a avaliações comportamentais a cada seis meses, período em que a manutenção ou não da medida será revista pela equipe técnica e pelo Judiciário.

O ataque, ocorrido no final de maio, causou a morte de duas servidoras da escola, identificadas como Raquel e Alzenir, e deixou diversos alunos feridos. A Polícia Civil confirmou ao g1 que o inquérito policial apontou a autoria do adolescente, que foi flagrado no local da ação. O caso foi classificado como ato infracional análogo a homicídio doloso duplamente qualificado, dada a vulnerabilidade das vítimas e o emprego de arma de fogo em ambiente escolar.

O Tribunal de Justiça do Acre (TJ-AC) informou que o processo tramitou com celeridade, respeitando o prazo de 45 dias para instrução e julgamento previsto para casos de internação provisória. Durante este período, foram realizadas exames de corpo de delito, oitiva de testemunhas e avaliação psicológica do adolescente. A defesa técnica constituída acompanhou os atos processuais, garantindo o direito ao contraditório, conforme garante a legislação menorista.

Com a sentença, o adolescente é transferido para unidade de internação especializada, onde cumprirá a medida socioeducativa com foco na ressocialização. A determinação judicial destaca a necessidade de acompanhamento psicossocial intensivo, considerando a gravidade do fato e a idade do autor. O MP-AC manifestou satisfação com a celeridade do julgamento, reforçando que a medida visa a proteção da sociedade e a responsabilização do adolescente, dentro dos preceitos do ECA, que prioriza a educação sobre a punição severa, embora admita a privação de liberdade em casos de extrema gravidade.

Cabe recurso da decisão ao Tribunal de Justiça, mas a sentença tem eficácia imediata quanto à internação. A investigação sobre a origem da arma de fogo utilizada no ataque continua sob sigilo na Delegacia Especializada de Homicídios, mas não interfere no trâmite do processo socioeducativo, que possui rito próprio e autônomo na Justiça da Infância.

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◆ Repórter · Nortícia Segurança

Diego Câmara

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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