Perícia confirma que pé na BR-010 pertence a vítima de acidente em Palmas
Exames do Instituto de Criminalística confirmaram que o membro encontrado a 5 km do local do acidente é da jovem Jhenyfer Camilly, de 22 anos, morta em colisão na BR-010.
O Instituto de Criminalística (IC) do Tocantins confirmou na tarde desta segunda-feira (8), por meio de laudo pericial, que o pé humano encontrado às margens da BR-010 pertence à estudante Jhenyfer Camilly Alves dos Santos, de 22 anos. O membro foi localizado a cerca de cinco quilômetros de distância do ponto onde ocorreu o acidente de trânsito fatal, registrado no dia 17 de maio.
O acidente aconteceu no km 3 da BR-010, na região de Palmas. Segundo o inquérito instaurado pela Polícia Civil, Jhenyfer e o marido, Sergiomar de Freitas Lima, trafegavam de motocicleta com destino ao município de Aparecida do Rio Negro quando foram atingidos em uma colisão frontal por um automóvel. Devido à violência do impacto, a vítima sofreu a amputação do membro inferior esquerdo. Apesar de ter sido socorrida e levada a unidade hospitalar, Jhenyfer não resistiu aos ferimentos e veio a óbito horas após o atendimento.
O condutor do veículo automotor envolvido na batida foi identificado como Nerivaldo Mendes, de 39 anos, policial militar da ativa. Segundo o boletim de ocorrência lavrado pela equipe de polícia judiciária, o condutor permaneceu no local do acidente após a colisão, prestou os primeiros socorros às vítimas e submeteu-se ao teste do etilômetro. A conduta de permanecer no local e prestar socorro é atenuante prevista em lei, embora não isente o motorista da responsabilidade penal pelos danos causados.
A investigação, conduzida pela 20ª Delegacia de Polícia Civil de Palmas, concluiu pelo indiciamento de Nerivaldo Mendes. Ele foi indiciado pelos crimes de homicídio culposo na direção de veículo automotor e lesão corporal culposa na direção de veículo automotor. A classificação culposa indica, na esfera penal, que não houve intenção de matar ou ferir (dolo), mas sim que o resultado decorreu de negligência, imprudência ou imperícia na condução do veículo.
O local onde o pé foi encontrado, distante cinco quilômetros do eixo da rodovia, despertou a atenção da perícia para entender a dinâmica do acidente. Especialistas apontam que o deslocamento do membro pode ter ocorrido devido à projeção causada pelo impacto frontal, seguido da rolagem ou transporte por outros veículos na pista. A confirmação biológica encerra a dúvida sobre a origem do restro mortais e descarta a hipótese de um segundo crime ou outra vítima não identificada.
O marido da vítima, Sergiomar de Freitas Lima, sofreu fraturas graves durante o acidente, mas sobreviveu. Ele prestou depoimento à autoridade policial nos dias seguintes ao evento, ajudando a reconstruir a dinâmica da colisão.
O inquérito policial, que agora conta com o laudo final do IC, será encaminhado ao Ministério Público do Estado do Tocantins (MPTO) para a análise da peça acusatória. Caso o MP ofereça denúncia, o caso seguirá para a justiça criminal comum, visto tratar-se de crimes culposos previstos no Código de Trânsito Brasileiro, onde o réu terá direito ao contraditório e à ampla defesa.
Diego Câmara
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.
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