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Liberal Comunidade mostra escuridão no São Brás e moradores cobram luz

Poste quebrado há dois meses no bairro gera insegurança; Concessionária afirma que ordem de serviço já foi emitida para reparo.

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Ananda Rocha
Pará · AM
07 de jun. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 684 palavras
Rua escura no bairro do São Brás com fios caídos no chão e mato crescido no canteiro central.
Poste quebrado há dois meses no bairro gera insegurança; Concessionária afirma que ordem de serviço · Foto: Redação Nortícia

Dona Cida Oliveira, 54 anos, fecha a sacola de banana nanica com um nó cego e aperta o passo. A saída da feira do São Brás é uma correria, mas hoje o perigo não é o sol que pega na cabeça. É o breu na esquina da Rua 15 de Novembro com a Travessa Padre Eutíquio. Há dois meses, o poste da rede caiu e deixou o quarteirão às escuras. A cena foi parar na tela da TV Liberal neste domingo, no quadro de denúncias do Liberal Comunidade, mas quem vive ali diz que a repercussão na TV ainda não virou luz na rua.

O problema começou em abril, com uma chuva forte que derrubou uma árvore velha e levou a estrutura junto. O buraco no meio-fio ficou aberto, exposto, e os fios jazem no chão, misturados com folhas e lixo da feira. Para quem caminha, é um obstáculo; para quem pilota, uma armadilha. O motoboy Robson Farias, 32 anos, trabalha fazendo entregas na região e conta que já tomou susto duas vezes. "Você vem pela Almirante Barroso, bate na lomba, e ali na frente não tem nada. Se não conhecer o bairro, entra de cabeça no fio e na base de cimento", reclama Robson, enquanto aponta o local onde o poste deveria estar.

A reportagem do Liberal Comunidade mostrou o risco que correm as mais de 200 famílias que circulam por ali diariamente. A Rua 15 de Novembro é uma via de acesso importante para quem vem da Terminal de Integração e quer cortar caminho para a Rodovia Augusto Montenegro. À noite, o movimento não para: bares funcionam até tarde, e o fluxo de pessoas e motos é intenso. Sem luz, o mato cresceu no canteiro central, escondendo o entulho da obra que nunca terminou.

Procurada pela reportagem da Nortícia, a Concessionária Celpe informou, através da assessoria de imprensa, que a ordem de serviço para a troca do poste foi emitida na última sexta-feira, dia 4, após a verificação técnica da equipe. A previsão da empresa é de que o reparo seja concluído em até cinco dias úteis, dependendo das condições climáticas e da disponibilidade da equipe de manutenção. A nota destaca ainda que a prioridade é a segurança da população e que a área foi interditada com fitas de sinalização.

Mas fita de zebrado não abastece o comércio local. Seu Manoel Pantoja, 60 anos, tem uma pastelaria no local e diz que os clientes têm medo de parar ali à noite. "De madrugada, esconde tudo. O pessoal vem da festa, com medo de assalto, porque não tem iluminação nenhuma. Perdi metade do fregues", lamenta o comerciante, que já tirou o pedaço de calçada da frente do estabelecimento para ninguém tropeçar.

A Associação de Moradores do São Brás entrou com uma solicitação formal na prefeitura na semana passada. O protocolo de atendimento municipal é o número 9845223. A Secretaria de Obras (Seop) afirma que a fiscalização foi acionada e que a responsabilidade é da concessionária, mas que a prefeitura está cobrando agilidade para evitar acidentes. "Não pode ficar um bairro comercial como o São Brás às escuras. Vira refúgio de bandido", afirma o presidente da associação, Carlos Eduardo, em áudio enviado aos moradores.

Até que a equipe da Celpe apareça com o caminhão de lanterna, o jeito é se guiar pelo farol dos carros e pela luz do comércio vizinho. Moradores cobram não apenas o poste novo, mas a poda das árvores, que apontam como a causa raiz da derrubada. Enquanto isso, Dona Cida continua apertando o passo. "Eu vi na TV, meu filho me chamou. Dizem que vai arrumar. Eu espero chegar sexta e ver a luz acesa, senão a gente faz um protesto aqui mesmo", diz ela, antes de subir no coletivo 114.

Quem passar pelo local e quiser cobrar a manutenção, deve ligar para o número 116 da Celpe, informando o endereço completo e o número de protocolo da solicitação, caso tenha. Se o prazo de cinco dias se encerrar sem solução, a reclamação pode ser formalizada na Agência Reguladora de Serviços Públicos (Arsel) pelo site ou pelo telefone 151.

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◆ Repórter · Nortícia Cidades

Ananda Rocha

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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