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Médicos de SPAs de Manaus esperam pagamentos de 2025, aponta atraso no Amazonas

Profissionais da saúde cobram valores de outubro a dezembro; empresa gestora culpa falta de transferências do Estado.

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Ananda Rocha
Amazonas · AM
18 de jun. de 2026
publicado
2 min
de leitura · 519 palavras
Fachada do Serviço de Pronto Atendimento (SPA) em Manaus durante movimento da manhã.
Profissionais da saúde cobram valores de outubro a dezembro; empresa gestora culpa falta de transfer · Foto: Redação Nortícia

Dr. André Lima, 29 anos, encara a fila de 30 pacientes na porta do SPA Joventina Dias, na zona Leste de Manaus, com o celular na mão e uma conta de luz vencida no bolso. Ele abre o aplicativo do banco pela terceira vez na manhã desta terça-feira, 18. O saldo continua o mesmo de outubro do ano passado: zero. André é um dos médicos generalistas contratados pela Queiroz Serviços e Gestão em Saúde LTDA que espera há oito meses pelos salários de outubro, novembro e dezembro de 2025.

O problema não é falta de trabalho, mas de repasse. A empresa, que venceu a concorrência para gerenciar parte dos Serviços de Pronto Atendimento da capital, culpa a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) pelo calote. O contrato, assinado em julho de 2025, é robusto: duração de quatro anos, até julho de 2029, e valor total de R$ 90,4 milhões. O papel garante atendimento para adultos e crianças, mas não garante o pontual no crédito do médico.

"A gente atende porque é vocação, mas vocação não paga aluguel", diz Lima, que pediu para ter o sobrenome alterado para não sofrer represálias. Ele conta que a categoria tenta manter o atendimento nas unidades, mas o desânimo toma conta das salas de descanso. Em outros SPAs, como o da Compensa e o do Coroado, a situação se repete. Médicos trocam turnos para pegar plantões extras no SUS municipal ou em clínicas particulares para fechar as contas no fim do mês.

A Queiroz Serviços confirmou o atraso em nota oficial. A empresa afirma que os pagamentos aos profissionais dependem exclusivamente da liberação de recursos pelo Governo do Amazonas, o contratante principal. "Até o momento, não existe um cronograma oficial para a regularização dos valores", informou a assessoria. A prefeitura de Manaus opera apenas uma parte da rede; as unidades estaduais ficam sob a alçada do governador e da SES-AM.

A Secretaria de Estado de Saúde foi procurada, mas não se pronunciou sobre o prazo para o pagamento dos repasses atrasados até a publicação desta matéria. Enquanto o Executivo estadual e a empresa se empurram a responsabilidade administrativa, a fila do médico de família e do posto de urgência continua com profissionais que dividem o estethoscópio com a ansiedade financeira.

Pacientes também sentem o reflexo. Dona Raimunda Nonato, 62 anos, moradora do bairro Alvorada, espera há duas horas por uma consulta de retorno no SPA. "Eles atendem bem, mas vejo que estão mais corridos, mais tristes. Se a gente demora para pagar, eles também demoram", observa ela.

O contrato prevê que a gestão da rede estadual deve funcionar sem solução de continuidade. Para quem precisa marcar uma consulta ou cobrar um direito, o canal oficial é a Ouvidoria da SES-AM. Reclamações sobre atrasos e falta de médicos podem ser registradas pelo telefone 156, opção 2, ou pelo site da ouvidoria digital, com protocolo gerado na hora. O número do processo da licitação que gerou o contrato de R$ 90,4 milhões é de acesso público, mas o dinheiro que sai do caixa do Estado, por enquanto, não chegou na conta do doutor André.

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◆ Repórter · Nortícia Cidades

Ananda Rocha

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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