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Meia Maratona fecha vias da Zona Oeste de Manaus neste domingo

Prova Desafio 30 interdita trechos das avenidas Coronel Teixeira, do Turismo e Santos Dumont a partir das 5h; moradores precisam antecipar saída.

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Ananda Rocha
Amazonas · AM
06 de jun. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 667 palavras
Participantes de corrida de rua cruzam avenida em Manaus durante competição esportiva ao amanhecer.
Prova Desafio 30 interdita trechos das avenidas Coronel Teixeira, do Turismo e Santos Dumont a parti · Foto: Redação Nortícia

Dona Cida Lima, 54 anos, acendeu a luz da varanda às 4h30 deste domingo (7). O costume da família Lima é ir à missa das 6h na paróquia de Ponta Negra, mas o relógio adiantou hoje. Eles moram no final da Estrada do Tarumã, na Zona Oeste de Manaus, e a principal via de acesso foi tomada pela "Meia Maratona Desafio 30". "A gente sabe que é importante para a cidade, mas a missa não espera", diz Cida, enquanto organizava a agenda para sair de casa uma hora mais cedo e evitar os transtornos.

A prova, que desafia atletas em percursos de 6, 10, 21 e 30 quilômetros, transformou o mapa da mobilidade urbana na parte da manhã. O Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) decretou operação especial. Desde as 2h da madrugada, equipes da autarquia estavam na rua, colocando placas e fitas zebradas. A largada oficial está marcada para as 5h, pontualmente na Avenida Coronel Teixeira, em frente ao pontão de Ponta Negra. É de lá que saem os corredores para ocupar as avenidas que, aos domingos, seriam usadas por quem vai pra praia ou para o café especial.

Seu Raimundo Farias, 49 anos, estacionou seu táxi branco numa rua transversal do Conjunto Eduardo Braga logo cedo. Taxista há 22 anos em Manaus, ele conhece cada buraco e cada desvio da Zona Oeste. "Quando tem evento grande assim, a gente ganha na corrida pro hotel, mas perde no tempo. Fica preso no cruzamento da Santos Dumont vendo a festa e não conseguindo sair", reclama Raimundo. Ele conta que muitos passageiros que se hospedam na orla para turbinar a economia local acabam atrasando compromissos por não conhecerem as vias alternativas.

O percurso da meia maratona é extenso e exige cortes em pontos-chave. Além da Coronel Teixeira, a Avenida do Turismo, acesso principal para quem vem do Alvorada, sofre restrições. A Avenida Santos Dumont, artéria que liga a Zona Oeste ao resto da cidade, terá faixas bloqueadas intermitentemente. A Estrada do Tarumã completa o circuito. Segundo o IMMU, os bloqueios são "rolantes": a polícia fecha o trecho minutos antes da passagem dos atletas e libera assim que o pelotão passa. Mas na prática, o efeito cascata no trânsito dura até o meio-dia.

Moradores do bairro Tarumã Mirim e da região do Lago do Aleixo são os que sentem mais o isolamento temporário. A professora Joana D'arc, 41 anos, precisou ir ao centro de saúde de manhã e teve que contornar todo o bairro Colônia Terra Nova. "A sinalização tá na rua, mas quando você está no fluxo, vê o fechamento e tem que voltar. É desgastante", relata. Ela pede mais antecedência na comunicação dos desvios para quem mora nos fundos da pista de corrida.

A operação do IMMU conta com dezenas de agentes posicionados em cruzamentos estratégicos. A função não é apenas barrar os carros, mas orientar motoristas confusos e garantir a integridade física dos cerca de 3 mil corredores esperados. A prefeitura reforça que o evento movimenta o turismo e o comércio local, aquecendo a economia de Ponta Negra em um dia típico de baixo movimento comercial. No entanto, o equilíbrio entre o lazer de quem corre e o direito de ir e vir de quem dirige é o desafio da manhã.

Para quem ainda precisa sair de casa, a dica dos veteranos do trânsito manauara é simples: evite a Avenida do Turismo e a beira-rio. O acesso por interiores, como as avenidas Djalma Batista e Constantino Nery, embora mais distantes, oferecem menos risco de engarrafamento. A operação deve ser encerrada gradualmente a partir das 10h, quando o último atleta cruzar a linha de chegada.

Casos de emergência ou necessidade de orientação de tráfego podem ser acionados diretamente na central de operações do IMMU através do 156. Enquanto o sol começa a subir sobre a Ponta Negra e o som dos passistas ecoa, Dona Cida e a família já estão na igreja, depois de uma viagem um pouco mais longa que o habitual, mas dentro do horário.

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◆ Repórter · Nortícia Cidades

Ananda Rocha

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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