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Minha Casa, Minha Vida destina 689 unidades rurais a cidades do Acre

Rio Branco e mais três municípios do interior (Acrelândia, Brasiléia e Bujari) recebem verba para construção e reformas em 2026.

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Ananda Rocha
Acre · AM
19 de jun. de 2026
publicado
2 min
de leitura · 531 palavras
Residência simples de madeira em área rural com quintal amplo e árvores frutíferas ao fundo.
Rio Branco e mais três municípios do interior (Acrelândia, Brasiléia e Bujari) recebem verba para co · Foto: Redação Nortícia

Dona Francisca da Silva, 54 anos, mora na Colônia Donana, na zona rural de Rio Branco. A casa onde ela cria os netos tem chão de terra batida e, nas chuvas fortes de janeiro, a água invade a cozinha. Na manhã desta quinta-feira, ela deixou a roça de lado para correr até a associação de moradores do bairro: queria saber se o nome dela tinha finalmente aparecido na lista do governo.

A expectativa de Dona Francisca não é à toa. O Ministério das Cidades publicou na quarta-feira (17), no Diário Oficial da União, a portaria que atualiza as propostas selecionadas para o programa Minha Casa, Minha Vida. O Acre aparece com 689 novas unidades habitacionais destinadas especificamente para a área rural. Do total, cerca de 70 unidades estão previstas para a capital, atendendo famílias como a dela que vivem e trabalham no campo.

O repasse federal, contudo, não fica concentrado apenas em Rio Branco. O interior do estado também entrou na mira da nova etapa do programa. Os municípios de Acrelândia, Brasiléia e Bujari devem receber aproximadamente 70 moradias cada um. Para quem vive nesses municípios, onde a rede de proteção social muitas vezes anda mais devagar do que o neededício da chuva, a promessa de casa nova ou reformada é o assunto da semana.

Em Brasiléia, na divisa com a Bolívia, Seu Joaquim da Costa, 63 anos, produtor de cacau, comemora a notícia que chegou pelo rádio comunitário. Ele vive há 40 anos na mesma madeira e diz que já tirou foto do documento três vezes para garantir que não é boato. "Aqui na beira do rio, a umidade estraga tudo. Reformar para nós é questão de saúde", conta.

Segundo o Ministério das Cidades, os valores repassados variam de acordo com o tipo de intervenção. O dinheiro serve tanto para erguer novas casas do zero quanto para fazer melhorias em residências que já existem — como troca de telhas, instalação de piso e reforço na estrutura. O foco da seleção foi o atendimento a agricultores familiares, comunidades tradicionais, quilombolas, indígenas e assentados da reforma agrária. No conjunto, as 689 unidades do Acre representam 1,39% da meta nacional de garantir 100% dos trabalhadores rurais com moradia digna.

A burocracia, porém, ainda é o obstáculo entre o número no papel e a chave na porta. Na prática, o beneficiário precisa estar com o cadastro atualizado na Caixa Econômica Federal e, em muitos casos, regularizar a posse da terra junto à prefeitura ou ao Incra. Sem o documento de terra regularizado, a obra não sai.

As secretarias municipais de Habitação de Rio Branco, Acrelândia, Brasiléia e Bujari são as responsáveis por executar as obras e gerar a lista final de contemplados. A orientação para quem atende aos critérios é procurar o setor de habitação da prefeitura ou a sede do Sindicato dos Trabalhadores Rurais para verificar a situação cadastral.

Fique atento: o governo não cobra taxa para inscrição no Minha Casa, Minha Vida. Qualquer grupo de WhatsApp ou pessoa que peça dinheiro para "garantir a vaga" é golpe. Dúvidas sobre a lista oficial do Acre podem ser tiradas pelo canal de atendimento do Ministério das Cidades ou pelo Disque 156 da sua cidade.

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◆ Repórter · Nortícia Cidades

Ananda Rocha

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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