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Mortes de garças e mau cheiro preocupam frequentadores da Praça Batista Campos, em Belém

Moradores denunciam mortes constantes de aves, acúmulo de fezes e falta de resgate animal no cartão-postal de Belém.

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Ananda Rocha
Pará · AM
03 de jun. de 2026
publicado
2 min
de leitura · 486 palavras
Garças pousam em árvore na Praça Batista Campos, em Belém, enquanto aves mortas são vistas no chão.
Moradores denunciam mortes constantes de aves, acúmulo de fezes e falta de resgate animal no cartão- · Foto: Redação Nortícia

Dona Francisca Chagas, 59 anos, trabalha no quiosque 4 da Praça Batista Campos, no bairro de Nazaré, em Belém. Ela abre as portas às 6h da manhã e, antes de ligar o café, precisa limpar o concreto. "É fezes de garça. Cai na mesa, cai no chão, cai na gente", conta ela, enquanto aponta para uma mancha branca no teto de alumínio. O bicho que atrai turistas para fotos agora é motivo de afastamento.

A situação na praça mais tradicional da capital paraense não é nova, mas escalou nas últimas semanas. Moradores que fazem a caminhada na quadra externa e vendedores ambulantes denunciam um aumento na mortalidade das garças-brancas e um odor forte de dejetos no ar. Em apenas uma manhã recente, aves doentes foram vistas agonizando em bancos, enquanto urubus circulavam a área esperando o fim. O contraste é brutal: a Praça Batista Campos, cartão-postal tombado pelo patrimônio histórico, que abriga o evento "Cidade das Garças", agora vive o lado sombrio da superpopulação.

Seu Raimundo Sales, 72 anos, morador do prédio frente ao Coreto da Praça, parou o passeio do cachorro ontem. "Vi um bixinho cair do pé de mangueira. Ficou lá no chão, ofegante", relata. "Tentei chamar o guarda municipal, mas ele disse que não é da competência dele. Aí tem que ver com quem? Com o bicho morrendo?". O desespero se repete. A jornalista Calina Bulhões relata o impasse burocrático: encontrou uma ave ferida num sábado e foi orientada pelo Batalhão de Polícia Ambiental a procurar a Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará). Só que a Adepará só atende em dias úteis. Resultado: o animal morreu antes da segunda-feira.

O impacto vai além do desconforto. O comércio local sente na mesa. O horário de pico do almoço, que deveria encher os quiosques, tem clientes reclamando da sujeira nas cadeiras. A alimentação irregular — pessoas jogando pão e restos de lanche para as aves — criou um desequilíbrio populacional. Mais bichos, menos espaço natural, mais competição por comida e mais doença. O cheiro de amônia impregnado na grama cortada e nos bancos de ferro é o primeiro aviso. Depois vêm as penas brancas soltas e, no chão, os corpos. Não é só feio; é um risco sanitário. O acúmulo de fezes de aves em áreas de circulação humana pode transmitir salmonela e fungos respiratórios.

A limpeza e a capina são da Companhia de Limpeza de Belém (Clube). A fiscalização sobre maus-tratos e alimentação animal é da Secretaria Municipal de Meio Ambiente. Para denunciar aves doentes ou pedir limpeza urgente na Batista Campos, o caminho é o 156. O número funciona 24 horas por aplicativo ou telefone. Quem liga deve pedir abertura de protocolo para a Seurb e informar o ponto exato — perto do Coreto, da quadra de tênis ou dos quiosques — para que a equipe saiba onde mandar a viatura. Denúncias de maus-tratos a animais podem ser feitas também pela Decon.

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◆ Repórter · Nortícia Cidades

Ananda Rocha

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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