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Nortícia SegurançaInvestigação em Manaus

Nova vítima relata estupros em projeto social de jiu-jitsu em Manaus

Depoimento incluído no inquérito da PC-AM aponta abusos cometidos por instrutor durante período de um ano; investigado segue preso preventivamente.

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Diego Câmara
Amazonas · AM
01 de jun. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 551 palavras
Viatura da Polícia Civil estacionada em frente a delegacia em Manaus.
Depoimento incluído no inquérito da PC-AM aponta abusos cometidos por instrutor durante período de u · Foto: Redação Nortícia

A investigação conduzida pela Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) registrou novo depoimento de vítima no inquérito que apura crimes sexuais cometidos pelo instrutor de jiu-jítsu Melquisedeque de Lima Galvão Ferreira. Segundo documentos da investigação, uma jovem relatou ter sido estuprada em cinco ocasiões durante o período de um ano. Os abusos teriam ocorrido entre 2024 e 2025, quando ela participava de projeto social coordenado pelo investigado na capital Manaus.

A denúncia foi formalizada perante a Delegacia Especializada de Atendimento à Criança e ao Adolescente (DECA). No depoimento, a vítima, que contava com 16 anos à época dos fatos, descreveu um padrão de conduta do investigado. Ela informou que os episódios aconteciam frequentemente em datas próximas a campeonatos esportivos. Segundo o relato, a vítima enfrentava dificuldades financeiras para pagar inscrições e despesas de viagem para competições. O investigado oferecia-se para cobrir os custos, condicionando a ajuda à realização de encontros em hotéis. Em uma das passagens descritas, ela questionou a necessidade de ir ao local, mas foi persuadida sob a alegação de tratar-se de uma "conversa necessária" sobre o esporte.

Melqui Galvão encontra-se preso preventivamente na Penitenciária Anísio Jobim (Compaj), em Manaus. A prisão foi decretada pela Justiça amazonense no âmbito da operação que apura os crimes. Além do estupro de vulnerável e estupro simples, o inquérito policial investiga os delitos de favorecimento à prostituição, importunação sexual, invasão de dispositivo eletrônico e coação no curso de investigação. A PC-AM trabalha na hipótese de que o projeto social era utilizado como mecanismo de captação e aproximação de vítimas vulneráveis, explorando a relação de autoridade do instrutor sobre os alunos.

As investigações possuem caráter regional. A Polícia Civil de São Paulo também mantém inquérito aberto para apurar denúncias de outras vítimas que teriam tido contato com o investigado em outros estados. A cooperação técnica entre as delegacias permite o cruzamento de informações sobre a atuação do grupo esportivo. As autoridades buscam identificar se houve participação de outras pessoas na logística dos abusos ou na ocultação de provas.

Procurada pela reportagem para se manifestar sobre os novos relatos incluídos no inquérito amazonense, a defesa de Melqui Galvão não retornou os contatos até o fechamento desta matéria. Em manifestações anteriores à prisão preventiva, a defesa técnica sustentou que as relações eram consensuais e pugnou pela liberdade do investigado, argumento que foi rejeitado pelo Ministério Público do Amazonas (MPAM). O MPAM fundamentou o pedido de prisão preventiva no risco de reiteração delitiva e na gravidade concreta dos fatos, destacando a condição de vulnerabilidade das vítimas.

O caso trouxe à tona debates sobre a fiscalização de projetos sociais esportivos e os mecanismos de proteção a menores dentro de academias e clubes. No âmbito do inquérito, peritos da PC-AM analisam aparelhos celulares apreendidos e conteúdos digitais para comprovar a autoria dos crimes de invasão de dispositivo e coação. As vítimas são acompanhadas por equipe psicossocial da delegacia especializada.

O inquérito policial tramita em segredo de Justiça sob supervisão do Ministério Público. Após a conclusão dos procedimentos investigatórios, o MPAM poderá oferecer denúncia criminal, levando o caso à apreciação do Judiciário. Se condenado pelos crimes de estupro de vulnerável, o instrutor pode enfrentar penas de 8 a 15 anos de reclusão para cada episódio, conforme o Código Penal Brasileiro. A investigação permanece aberta para o eventual recebimento de novos depoimentos.

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◆ Repórter · Nortícia Segurança

Diego Câmara

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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