Padrasto com histórico de crime contra enteada morre carbonizado no TO
Polícia Civil investiga morte de homem e jovem em Araguaína; suspeito tinha condenação por homicídio qualificado em 2009.
A Polícia Civil do Tocantins, por meio da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), investiga as circunstâncias da morte de duas pessoas, encontradas carbonizadas na manhã do dia 3 de junho de 2026, em uma residência no Setor Oeste, em Araguaína. As vítimas foram identificadas como Ivano Vaz Cunha, de 49 anos, e sua enteada, Laiane Cardoso Noleto, de 19 anos.
Segundo o boletim de ocorrência registrado na delegacia, a equipe de perícia do Instituto de Criminalística (IC) foi acionada após ocorrência de incêndio no imóvel. No local, os peritos constataram que os corpos estavam sem vestimentas e foram localizados na parte inferior da casa. Foi apreendido um galão com vestígios de combustível, encaminhado para análise laboratorial para comprovar a presença de material inflamável. A hipótese inicial apurada pela polícia é de que o fogo teria sido utilizado para ocultar vestígios de crime ou para ocasionar a morte das vítimas, aguardando-se o laudo cadavérico para definir a causa mortis e se houve ingestão de substâncias que incapacitassem as vítimas antes do incêndio.
A investigação ganhou contornos complexos ao se revelar o histórico criminal de Ivano Vaz Cunha. De acordo com documentos acessados pela reportagem junto ao Tribunal de Justiça do Tocantins (TJTO), I.V.C. cumpria pena em regime semiaberto. A condenação mais grave data de 2009, quando ele foi julgado culpado pelo assassinato de outra enteada, Layla Athyla Maranhão, então com 12 anos. Na ocasião, o Ministério Público denunciou que ele teria cometido abuso sexual seguido de morte, utilizando fogo para destruir o corpo da vítima. O crime ocorreu em 2008, e a sentença foi proferida pela 1ª Vara do Júri de Araguaína, determinando o cumprimento de pena em regime fechado inicialmente.
Anteriormente a esse caso, em dezembro de 2007, I.V.C. já figurava como autor de outro delito fatal. Conforme registros da Delegacia de Trânsito e delegacias de polícia de Araguaína, ele dirigia uma carreta na BR-153 quando atropelou uma pedestre, vindo a fugar do local sem prestar socorro. A vítima não resistiu aos ferimentos. O inquérito policial da época apontou infração de trânsito e homicídio culposo na modalidade dolosa pela fuga, resultando em processo judicial.
No inquérito que apura o atual caso, a DHPP trabalha para levantar se os eventos estão ligados a uma disputa interna ou se há autoria de terceiros. O fato de I.V.C. estar em regime semiaberto, que permite trabalho externo e recolhimento noturno ou domiciliar em fins de semana, é um ponto de atenção para a polícia, que investiga se ele estava cumprindo corretamente as determinações judiciais no momento do óbito. A vizinhança ouvida pelos policiais relatou não ter escutado discussões anteriores, apenas percebido a fumaça e o cheiro de queimado no período da manhã.
A polícia também investiga a relação entre Laiane Cardoso Noleto e o padrasto, buscando entender se a jovem era alvo de ameaças ou se houve tentativa de intervenção de terceiros. Testemunhas informais indicam que a vítima cursava ensino técnico na cidade. A Defensoria Pública foi oficiada para representar os interesses da família da jovem, visto que a mãe de Laiane era esposa de Ivano e não se encontrava na residência no momento do fato, conforme informações preliminares.
O inquérito policial, instaurado sob número sigiloso na DHPP, tramita agora sob segredo de justiça para preservar a integridade das investigações. Os laudos do Instituto de Criminalística devem ser entregues nos próximos 30 dias. A polícia aguarda o resultado dos exames de DNA e toxicologia para confirmar a dinâmica do evento e definir a autoria material e intelectual, se for o caso, descartando ou confirmando a tese de extermínio seguido de ocultação de cadáver.
Diego Câmara
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.
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