ed. #024
nortıcia
nortícia · segurança · roraima
Nortícia SegurançaOperação Fim de Dança

Justiça condena seis integrantes do PCC por usar tambor enterrado como 'cofre central' em RR

Sentença em Caracaraí soma mais de 50 anos de prisão; grupo usava tambor em área rural para estocar drogas antes da distribuição.

d
Diego Câmara
Roraima · AM
09 de jun. de 2026
publicado
2 min
de leitura · 427 palavras
Tambor metálico sendo retirado de buraco em área de mata durante operação policial em Caracaraí.
Sentença em Caracaraí soma mais de 50 anos de prisão; grupo usava tambor em área rural para estocar · Foto: Redação Nortícia

A Vara Criminal Única da Comarca de Caracaraí proferiu sentença condenando seis integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) pelos crimes de organização criminosa e tráfico de entorpecentes. A decisão, registrada em 30 de maio, encerra a primeira fase do processo referente à Operação Fim de Dança, deflagrada pela Polícia Civil de Roraima (PCRR) em novembro de 2025.

O núcleo da acusação técnica do Ministério Público Estadual (MPRR) foi a constatação de uma estrutura logística complexa: um tambor metálico enterrado em área de mata na zona rural de Caracaraí. O local, referenciado em interceptações telefônicas como "cofre central", funcionava como ponto de estocagem de drogas antes do fracionamento para o varejo em outros municípios de Roraima. Segundo o inquérito policial que embasou a ação penal, a estratégia visava reduzir a exposição da carga nas vias urbanas e facilitar a distribuição regional.

Entre os condenados figura Rodrigo Alberto Xavier, apelidado de "Sorriso Maroto". A denúncia do MPRR apontou Xavier como elemento de ligação enviado pela cúpula da facção em São Paulo para comandar a expansão das atividades ilegais em Roraima. Ele foi condenado a 8 anos e 6 meses de reclusão em regime fechado pelos crimes tipificados nos artigos 33 e 35 da Lei 11.343/2006 (tráfico e associação para o tráfico), somados ao artigo 288 do Código Penal (organização criminosa).

A sentença também atingiu o proprietário da propriedade rural onde o tambor foi instalado, responsabilizado pelo favorecimento real. O grupo de condenados é completado por três operadoras financeiras da organização, que respondiam pela movimentação de capitais e pagamentos de "avicultura" (caixinha da facção), e um integrante responsável pela segurança do esconderijo. As penas individuais variam de 3 a 10 anos de prisão, totalizando mais de 54 anos de regime privativo de liberdade, considerando as somatórias de cada réu.

A magistrado responsável pelo caso fundamentou a condenação na materialidade comprovada por laudos periciais e na autoria estabelecida pelos depoimentos testemunhais e provas documentais. A advogacia de defesa dos réus foi intimada e mantém o prazo legal para apresentar recurso ao Tribunal de Justiça de Roraima (TJ-RR). Enquanto não haja trânsito em julgado, a prisão preventiva decretada durante a fase de inquérito permanece válida para aqueles com penas superiores a quatro anos.

A Operação Fim de Dança representa um desmantelamento pontual da logística de distribuição de drogas no interior do estado, evidenciando o modus operandi de facções criminosas de enterrar entorpecentes em propriedades rurais para evitar a fiscalização policial em rodovias federais, como a BR-174. O processo segue tramitando em segredo de justiça para a análise das apelações da defesa.

d
◆ Repórter · Nortícia Segurança

Diego Câmara

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

Reportagens como essa, no seu e-mail

Newsletter da Nortícia Segurança

Toda terça, uma carta com o que aconteceu de mais importante em segurança no Norte. Sem agenda, sem partido.