Pé encontrado a 5 km de acidente fatal na BR-010 em Palmas, diz família
Mãe de Jhenyfer, estudante de 22 anos morta em colisão de moto, questiona distância do membro encontrado e pede investigação.
Maria Aparecida dos Santos caminha pelo acostamento da BR-010, altura do quilômetro 3, sentido Aparecida do Rio Negro. Na mão direita, ela segura uma foto emoldurada; na esquerda, um lenço úmido. É o décimo dia desde que a filha dela, Jhenyfer Camilly Alves dos Santos, estudante de Nutrição de 22 anos, perdeu a vida exatamente naquele trecho da rodovia. O corpo foi levado para o Hospital Geral de Palmas (HGP), mas uma parte de Jhenyfer ficou espalhada pelo asfalto.
O acidente aconteceu no domingo (17), por volta das 16h. Jhenyfer e o marido, Sergiomar de Freitas Lima, viajavam de moto para visitar a família em Aparecida do Rio Negro. Uma colisão com um carro mudou o destino do casal. O impacto foi tão violento que a moto se partiu, Sergiomar foi arremessado e Jhenyfer teve um pé decepado. Ela foi socorrida, mas morreu horas depois no HGP.
Nos dias seguintes, enquanto o luto tomava conta da casa da família em Palmas, uma angústia específica começou a atormentar Maria Aparecida. Onde estava o pé da filha? A resposta veio de uma busca coletiva feita por parentes e vizinhos às margens da rodovia. Eles encontraram o membro cinco quilômetros adiante do local do acidente.
“A gente não aceita isso. Como o pé dela foi parar a cinco quilômetros de distância? Eu só quero justiça e entender o que aconteceu”, afirmou Maria Aparecida, ainda em choque com a descoberta. A distância incomoda a família, que levanta dúvidas sobre a dinâmica do acidente registrada no primeiro momento. A Polícia Militar Rodoviária foi acionada, mas o inquérito segue sob sigilo na Delegacia de Trânsito.
Sergiomar, que seguia na garupa da moto, sobreviveu e está internado em um hospital particular da capital, tratando de fraturas e traumas. Ele ainda não foi oficialmente ouvido sobre a dinâmica da batida, pois o estado de saúde é delicado. O motorista do carro envolvido prestou depoimento e foi liberado, aguardando o desfecho do inquérito.
A Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou que o pé recolhido está sob análise do Instituto Médico Legal (IML). Um exame de DNA deve confirmar se o material biológico pertence à estudante de Nutrição. A família aguarda o laudo definitivo para poder realizar o sepultamento e tentar fechar o ciclo dessa dor.
O trecho da BR-010 onde o acidente ocorreu é conhecido pelos moradores de Palmas como um ponto de atenção. A pista é reta, o que incentiva o excesso de velocidade, e o fluxo de motos é intenso, especialmente nos finais de semana. Moradores do Taquaralto, bairro próximo ao local da batida, reclamam constantemente da falta de radares e da iluminação deficiente na rodovia.
Enquanto o laudo do IML não sai, Maria Aparecida volta ao ponto do acidente. Ela diz que precisa entender. “Ela estava indo nos ver, estava feliz. O pé da minha filha foi encontrado a 5 km de distância, e eu preciso saber por quê”, repete ela, fitando o asfalto onde a vida da filha terminou.
Informações sobre o andamento do inquérito e do laudo do IML podem ser obtidas junto à Delegacia de Trânsito de Palmas, pelo telefone (63) 3218-4800, ou diretamente no setor de atendimento ao cidadão do IML-TO.
Ananda Rocha
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.
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