PF destrói escavadeiras e combate garimpo no Amapá
Operação no Santuário das Árvores Gigantes apreendeu mercúrio e desativou acampamentos ilegais na divisa com o Pará.
A pressão sobre a floresta amazônica no Amapá não dá trégua. A Polícia Federal (PF), em conjunto com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), intensificou o combate ao garimpo ilegal em 2026. A mais recente ação focou no Santuário das Árvores Gigantes, uma área de conservação crítica situada na divisa entre Laranjal do Jari, no Amapá, e Almeirim, no Pará. Entre os dias 12 e 15 de maio, agentes federais realizaram uma operação rigorosa para conter o avanço da extração ilegal na região.
O Santuário Sob Ameaça
O Santuário das Árvores Gigantes representa um refúgio de biodiversidade que une dois estados do Norte. No entanto, a localização remota tem servido de atrativo para garimpeiros. A PF identificou que a atividade ilegal avançava para dentro da floresta, a cerca de 1,5 km da área protegida. A preocupação das autoridades é justificada: a presença de garimpo nessa faixa de fronteira traz danos ambientais irreversíveis e coloca em risco a conservação de um patrimônio natural único.
Estragos e Apreensões
Em apenas três dias de operação, o saldo do combate ao crime ambiental foi pesado. As forças de segurança destruíram quatro escavadeiras hidráulicas, máquinas essenciais para a abertura de crateras na mata. Além delas, dezenas de motores, três quadriciclos e dois tratores foram desativados. A logística do crime foi quebrada com a destruição de geradores de energia e acampamentos clandestinos que serviam de base para os invasores. Um total de aproximadamente 3,3 mil litros de diesel, combustível que alimenta as máquinas e polui o solo em caso de vazamento, foi perdido pelos criminosos.
O Perigo do Mercúrio
Um dos pontos críticos da ação foi a apreensão de 3 kg de mercúrio. Este metal pesado é utilizado no garimpo para separar o ouro, mas o descarte incorreto contamina os rios e entra na cadeia alimentar, afetando as populações ribeirinhas e a fauna local. A retirada desse veneno da circulação ilegal evita danos imensuráveis ao ecossistema aquático da região. As imagens divulgadas pelo ICMBio mostram o cenário de degradação deixado para trás, reforçando a necessidade de fiscalização constante.
Fiscalização Contínua
A operação em maio marca a terceira ação realizada pela PF no Amapá ao longo de 2026. O reforço nas fiscalizações é uma resposta direta ao avanço do garimpo ilegal, que tem se mostrado resiliente mesmo diante da pressão policial. Enquanto houver demanda por ouro ilegal e áreas florestais vulneráveis, o conflito pela preservação da Amazônia Legal continuará. A proteção do Santuário das Árvores Gigantes é um teste para a capacidade de enforcement do Estado na região Norte.
Com base em g1-ap.
Curadoria Nortícia
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.
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