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PF intensifica combate ao garimpo no Santuário das Árvores Gigantes

Operação destruiu acampamentos e apreendeu mercúrio na divisa do Amapá com o Pará. Preocupação cresce com o avanço de máquinas na área de conservação.

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Curadoria Nortícia
Amapá · AM
26 de mai. de 2026
publicado
4 min
de leitura · 771 palavras
Escavadeira destruída pela Polícia Federal em floresta amazônica.
Operação destruiu acampamentos e apreendeu mercúrio na divisa do Amapá com o Pará. Preocupação cresc · Foto: Redação Nortícia

O garimpo ilegal continua sendo uma ferida aberta na Amazônia e, no Amapá, a situação exige atenção vermelha. A Polícia Federal subiu o tom das operações de fiscalização ao detectar uma expansão alarmante da extração ilegal em áreas sensíveis. O foco atual é o entorno do Santuário das Árvores Gigantes, uma área de preservação crucial que fica na divisa entre Laranjal do Jari, no Amapá, e Almeirim, no Pará. O combate a essa atividade não é apenas uma questão de aplicar a lei, mas uma necessidade urgente para proteger um ecossistema único que está sob pressão constante.

Ameaça às Árvores Gigantes

A mais recente operação da PF, realizada entre os dias 12 e 15 de maio, revelou a ousadia crescente dos criminosos ambientais. As equipes encontraram acampamentos instalados a apenas 1,5 km de distância da Floresta das Árvores Gigantes. Essa proximidade é um alarme: os garimpeiros estão testando os limites da fiscalização, se encostando cada vez mais em áreas que deveriam ser intocáveis. A ação resultou na destruição de quatro escavadeiras hidráulicas, dezenas de motores, três quadriciclos e dois tratores.

A presença dessas máquinas pesadas no meio da mata transforma a paisagem de forma irreversível. O uso de escavadeiras indica que o garimpo não é mais artesanal; é uma operação industrial de escala significativa. Além da destruição direta da vegetação, a apreensão de cerca de 3,3 mil litros de diesel expõe o risco de acidentes ambientais graves. Um derramamento desse combustível nos igarapés da região seria catastrófico para a fauna e flora local, comprometendo recursos hídricos vitais para as comunidades do Jari.

O Perigo Invisível do Mercúrio

Um dos pontos mais críticos das apreensões foi a retenção de 3 kg de mercúrio. O uso desse metal no garimpo é uma prática antiga, mas altamente tóxica, utilizada para separar o ouro de outras partículas. O grande perigo do mercúrio é que ele não desaparece. No ambiente aquático, ele sofre transformações químicas e se torna metilmercúrio, uma substância que se acumula nos peixes.

Quando as populações locais consomem esse pescado, estão ingerindo veneno. A contaminação por mercúrio causa problemas neurológicos irreversíveis, afetando principalmente crianças e gestantes. O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) tem alertado repetidamente sobre esse risco. A destruição dos acampamentos e a apreensão do metal são, portanto, medidas de saúde pública, não apenas ambientais. O combate ao garimpo é, essencialmente, a defesa da vida das pessoas que vivem na floresta.

Balanço das Ações em 2026

A operação de maio não foi um evento isolado. Em 2026, a Polícia Federal já realizou três grandes operações voltadas especificamente para o garimpo ilegal no Amapá. O balanço anual já soma a destruição de 14 escavadeiras hidráulicas. Esses números demonstram um esforço contínuo do Estado, mas também revelam a capacidade de resiliência e o financiamento robusto das redes criminosas que exploram os recursos naturais da região. A cada equipamento destruído, há outros tentando entrar.

A estratégia de destruir o maquinário no local visa inviabilizar economicamente a continuidade da atividade naquele ponto específico. Retirar uma escavadeira da floresta é difícil e caro para a polícia; destruí-la impede seu uso imediato. No entanto, a logística do crime se adapta. O Santuário das Árvores Gigantes, com sua vasta extensão e localização remota na fronteira entre dois estados, apresenta um desafio logístico complexo para as autoridades, exigindo inteligência e recursos constantes.

Desafios na Fronteira

A localização geográfica do Santuário das Árvores Gigantes, entre Laranjal do Jari e Almeirim, adiciona uma camada de complexidade à fiscalização. A atuação em área de fronteira estadual exige uma coordenação perfeita entre os órgãos do Amapá e do Pará. Garimpeiros frequentemente utilizam essa linha tênue para fugir de uma força policial e se refugiar na jurisdição da outra, jogando no vácuo a responsabilidade da repressão.

Superar essa fragmentação da ação policial é fundamental para o sucesso do combate ao garimpo. A cooperação entre a PF, o ICMBio, a Polícia Militar e outros órgãos ambientais de ambos os estados é a única via eficiente para fechar o cerco. A destruição de acampamentos e a prisão de infratores são passos importantes, mas a inteligência policial precisa interromper o financiamento e a cadeia de suprimentos que alimenta essas operações ilegais.

Manter a floresta em pé exige fiscalização constante e punição exemplar para os infratores. Enquanto houver lucro fácil na extração ilegal, a pressão sobre o Santuário das Árvores Gigantes e outras unidades de conservação do Amapá vai continuar. O trabalho integrado entre as forças de segurança é vital para garantir que o estado não perca mais trechos de sua floresta para a voracidade do garimpo predatório.

Com base em g1-ap.

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