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Prisão de secretária de Saúde de Palmas é decretada após tentativa de interferência em inquérito

Investigados apurados por fraudes de R$ 139 milhões em terceirização de UPAs; prisões preventivas foram determinadas por risco à instrução processual.

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Diego Câmara
Tocantins · AM
10 de jun. de 2026
publicado
2 min
de leitura · 446 palavras
Documento judicial com decisão de prisão preventiva sobre mesa.
Investigados apurados por fraudes de R$ 139 milhões em terceirização de UPAs; prisões preventivas fo · Foto: Redação Nortícia

A Polícia Civil do Tocantins cumpriu na manhã desta terça-feira (10) mandados de prisão preventiva contra a secretária municipal de Saúde de Palmas, Dhieine Caminski, e o superintendente de Atenção à Saúde, Andreis Vicente da Costa. As detenções foram determinadas pela 1ª Vara Regional das Garantias de Palmas e integram inquérito que apura supostas fraudes na contratação de empresas para a gestão das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) da capital.

A decisão judicial que decretou a custódia preventiva destaca indícios de interferência na instrução processual. Segundo a peça, testemunhas ouvidas pela autoridade policial relataram tentativas de monitoramento e direcionamento de depoimentos por parte da secretária, o que configuraria, para a Justiça, risco à colheita de provas e possibilidade de reiteração delitiva. A medida visa garantir a eficácia das investigações em curso.

O objeto central da investigação é o processo de terceirização das UPAs, cujo contrato totaliza R$ 139,1 milhões. As autoridades apuram a prática de crimes de organização criminosa, falsidade ideológica, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A falsidade ideológica, na hipótese dos autos, estaria ligada à apresentação de informações falsas ou omitidas em documentos essenciais para a licitação e gestão dos contratos públicos.

Além dos dois servidores públicos, a Polícia Civil busca a empresária Cláudia Fernanda Cândido da Silva. Investigadores apontam que ela atuaria como lobista na articulação dos contratos fraudulentos, funcionando como intermediária entre a administração municipal e as empresas beneficiadas. A inclusão da empresária no rol de investigados reforça a tese de associação criminosa para o desvio de verbas públicas.

A defesa da secretária Dhieine Caminski manifestou-se por meio de nota à imprensa, informando que ainda não teve acesso integral ao conteúdo do inquérito e aos fundamentos da decisão judicial. Segundo os advogados, sem a análise completa do material, não há condições técnicas de apresentar resposta ao mérito das acusações. A defesa do superintendente Andreis Vicente da Costa não foi localizada para comentar o caso até o fechamento desta matéria.

A 1ª Vara Regional das Garantias é competente para analisar a legalidade das investigações criminais e medidas cautelares antes do oferecimento da denúncia pelo Ministério Público. Com a prisão preventiva decretada, os investigados deverão ser encaminhados ao sistema prisional do estado, onde aguardarão o desenrolar do processo penal. O inquérito tramita sob segredo de Justiça, e a próxima etapa processual envolve a manifestação do Ministério Público sobre o mérito das investigações.

A Secretaria de Saúde de Palmas não informou, até o momento, as providências administrativas adotadas para substituir os gestores afastados pela prisão. O contrato de terceirização das UPAs continua sob análise técnica da Controladoria-Geral do Município (CGM), que pode instaurar processos administrativos para apurar responsabilidade civil pela eventual má gestão dos recursos.

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◆ Repórter · Nortícia Segurança

Diego Câmara

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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