Processos por assédio moral sobem 47% no Amazonas
No primeiro quadrimestre, o TRT-11 registrou 408 ações, contra 278 no ano anterior. O aumento indica tanto persistência da violência quanto maior conscientização das vítimas.

O ambiente de trabalho no Amazonas passa por um momento de crítica análise. Os números mais recentes do Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT-11) revelaram um aumento significativo no registro de processos relacionados a assédio moral e sexual. Este cenário coloca em pauta não apenas a segurança do trabalhador, mas também a cultura organizacional vigente no estado.
O crescimento dos casos
Os dados apresentados pelo TRT-11 mostram um salto nas ações judiciais movidas no primeiro quadrimestre do ano. Comparando os períodos de janeiro a abril de 2025 e 2026, o Amazonas viu o número de processos por assédio moral subir de 278 para 408. Essa variação representa um aumento expressivo de 47%.
O assédio sexual, que muitas vezes permanece subnotificado, também registrou alta. O número de processos passou de 30 para 39 no mesmo intervalo de tempo. Embora os números absolutos sejam menores que os do assédio moral, o crescimento é um sinal de alerta para as empresas e instituições públicas.
Esse aumento estatístico não pode ser ignorado. Ele reflete tensões que ocorrem diariamente nos ambientes corporativos e públicos de Manaus e do interior. O fato de mais casos chegarem ao conhecimento da Justiça do Trabalho indica que o problema está dimensionado e requer atenção imediata das gestões.
Entre a realidade e o acesso à justiça
A interpretação desses números exige cuidado. Segundo o desembargador Alberto Bezerra, coordenador do Comitê de Prevenção e Enfrentamento do Assédio Moral, do Assédio Sexual e da Discriminação do TRT-11, o crescimento tem duas faces. De um lado, confirma que práticas abusivas persistem nos locais de trabalho.
Por outro lado, o aumento aponta para uma mudança positiva no comportamento das vítimas. Bezerra destaca que há uma maior conscientização sobre os direitos trabalhistas. Os trabalhadores estão mais informados sobre os mecanismos de proteção disponíveis e sentem-se mais seguros para denunciar agressões e humilhações sofridas.
O juiz do trabalho André dos Anjos corrobora essa visão, avaliando que o incremento nas ações é um reflexo do acesso à justiça. Não se trata apenas de mais violência, mas de menos tolerância à impunidade e ao abuso de poder hierárquico.
A necessidade de políticas preventivas
Diante deste cenário, o foco recai sobre a prevenção. O desembargador Alberto Bezerra reforçou a urgência em fortalecer políticas de acolhimento e combate à violência. Não basta apenas reprimir o assédio após ele ocorrer; é preciso criar estruturas que o impeçam de acontecer.
A implementação de comitês internos, canais de denúncia anônimos e eficazes, e a capacitação contínua de gestores são medidas fundamentais. A cultura de paz no ambiente de trabalho é um investimento que reflete diretamente na produtividade e na saúde mental da força ativa amazonense.
O TRT-11 tem atuado como um regulador e educador social neste processo. A divulgação desses dados serve como um termômetro para a sociedade amazonense, mostrando onde é necessário intervir com mais força. O direito a um ambiente de trabalho saudável é garantido por lei, e o aumento das processualizações é o exercício desse direito.
Com base em g1-am.
Curadoria Nortícia
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.
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