ed. #026
nortıcia
nortícia · segurança · rondônia
Nortícia SegurançaOperação Moeda de Troca

Suspeito de corrupção eleitoral é preso com arma em operação da PF em RO

Investigado foi preso em flagrante por posse ilegal de arma em Mirante da Serra e é alvo de inquérito por compra de votos em 2024.

d
Diego Câmara
Rondônia · AM
19 de jun. de 2026
publicado
2 min
de leitura · 489 palavras
Agentes da Polícia Federal durante diligência em operação contra corrupção eleitoral.
Investigado foi preso em flagrante por posse ilegal de arma em Mirante da Serra e é alvo de inquérit · Foto: Redação Nortícia

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta sexta-feira (19) a Operação Moeda de Troca, cumprindo cinco mandados de busca e apreensão em Mirante da Serra, município localizado a 385 km de Porto Velho. Durante as diligências autorizadas pela Justiça Eleitoral de Rondônia, um investigado foi preso em flagrante pelo delito de posse ilegal de arma de fogo. A prisão ocorre no âmbito de inquérito que apura suposta participação do indivíduo em um esquema de corrupção eleitoral articulado durante o pleito municipal de 2024.

Segundo a nota oficial divulgada pela superintendência da PF em Rondônia, as investigações tiveram início a partir de representação recebida pelo poder judiciário eleitoral. A denúncia apontava a ocorrência de compra de votos destinada à eleição de candidatos ao cargo de vereador. As apurações policiais indicam que o grupo investigado estruturou uma rede de distribuição de recursos financeiros e promessa de cargos na administração pública municipal como contrapartida pelo apoio eleitoral. A prática, se comprovada, configura ato ilícito previsto no Artigo 299 do Código Eleitoral, passível de reclusão de dois a quatro anos e pagamento de multa.

Durante a execução dos mandados, a equipe policial apreendeu documentos contábeis, aparelhos celulares e computadores que, segundo a corporação, podem revelar a dinâmica financeira do esquema e a identidade de demais envolvidos. A prisão por posse de arma foi consequência de uma abordagem de rotina durante as buscas, quando o suspeito portava o armamento sem a regular autorização do Exército. A posse irregular de arma de fogo é crime autônomo, tipificado no Estatuto do Desarmamento, com penas que variam de um a três anos de detenção, além de multa.

A identidade do investigado não foi tornada pública pela polícia federal, uma medida padrão para preservar a integridade das investigações em curso e evitar prejuízos à colheita de provas futuras. O inquérito, que tramita em sigilo, conta com o apoio técnico do Ministério Público Eleitoral, que acompanha o desfecho das operações de campo. A defesa do preso ainda não foi oficiada sobre o conteúdo dos autos.

A operação em Mirante da Serra expõe um padrão recorrente de fiscalização em municípios do interior do Norte, onde a captação ilícita de sufrágio frequentemente explora a vulnerabilidade socioeconômica da população e a dependência de cargos públicos locais. O modelo de oferta de emprego em troca de voto, conhecido tecnicamente como tráfico de influência eleitoral, tem sido o foco prioritário das forças-tarefa da PF no período pós-eleitoral na região. Mirante da Serra, com economia baseada na agropecuária e no comércio local, possui histórico de disputas acirradas nas urnas, o que demanda monitoramento constante das instituições de controle.

O inquérito policial seguirá para análise pericial do material apreendido. Após a conclusão dos laudos, os autos serão remetidos ao Ministério Público Eleitoral para oferecimento de denúncia ou arquivamento, conforme a suficiência das provas. O investigado responde pelo crime de posse de arma em liberdade, aguardando o desfecho da ação penal instaurada no âmbito da Justiça Federal.

d
◆ Repórter · Nortícia Segurança

Diego Câmara

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

Reportagens como essa, no seu e-mail

Newsletter da Nortícia Segurança

Toda terça, uma carta com o que aconteceu de mais importante em segurança no Norte. Sem agenda, sem partido.