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Rondônia inicia vazio sanitário de 90 dias para combater ferrugem na soja

Medida da Idaron visa quebrar ciclo da ferrugem asiática; cultivo irrigado e plantas voluntárias também são proibidos até setembro.

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Renato Lobo
Rondônia · AM
10 de jun. de 2026
publicado
2 min
de leitura · 417 palavras
Plantação de soja seca em área de descanso durante período de vazio sanitário em Rondônia.
Medida da Idaron visa quebrar ciclo da ferrugem asiática; cultivo irrigado e plantas voluntárias tam · Foto: Redação Nortícia

Rondônia entrou nesta quarta-feira (10) no período de vazio sanitário da soja — uma pausa obrigatória de 90 dias no cultivo que visa quebrar o ciclo da ferrugem asiática (Phakopsora pachyrhizi), a doença que mais derruba produtividade nos canteiros do Norte. A regra, estabelecida pela Agência de Defesa Sanitária Agrosilvopastoril (Idaron), proíbe o plantio, a manutenção ou a sobrevivência de qualquer planta de soja no estado até 10 de setembro.

Para o produtor, o custo de não respeitar a regra é contabilizado em sacas perdidas. O fungo sobrevive apenas na planta viva; eliminando o hospedeiro por quase três meses, reduz-se drasticamente a pressão de inóculo — a quantidade de esporos disponíveis no ambiente — para a safra 2026/27. Em Mato Grosso, maior produtor nacional, a estratégia é a mesma: eliminar a chamada "soja tiguera" ou "guaxa" para evitar gastos crescentes com controle químico na próxima estação.

A fiscalização da Idaron será rigorosa. A instrução normativa determina que a ausência da cultura precisa ser total. Não há exceções para áreas irrigadas ou para lavouras intercaladas com outras culturas, como milho, sorgo ou milheto. O não cumprimento da norma pode gerar multas que chegam a R$ 5 mil por hectare infrator, além de embargos e apreensão de produtos, impactando diretamente o fluxo de caixa do agricultor.

Do ponto de vista biológico, a medida é uma barreira essencial. Pesquisadores da Embrapa Soja apontam que a ferrugem asiática pode causar perdas de até 90% na produtividade se não controlada. No entanto, o uso excessivo de fungicidas encarece o custo de produção — que já subiu 15% no último ciclo no Norte devido aos insumos — e gera resistência da doença aos químicos. O vazio sanitário é, portanto, a ferramenta mais eficiente de manejo integrado, reduzindo a dependência de defensivos.

A expectativa do setor é que o período de seca e frio típicos do trimestre atual, combinados com a ausência da planta, reduzam a sobrevivência do fungo a níveis mínimos. Historicamente, estados que adotam o vazio de forma estrita registram menor incidência da doença no início da safra seguinte, o que adia a primeira aplicação de fungicida e economiza recursos para o produtor.

O calendário agrícola rondoniense retoma a liberdade de plantio em setembro. Até lá, o indicador a monitorar é o monitoramento de rebanhos feitos pela própria Idaron, que divulgará balanços semanais de conformidade. A próxima estimativa oficial de área plantada para a nova safra, considerando a adesão a este protocolo sanitário, está prevista para o levantamento do IBGE em agosto.

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◆ Repórter · Nortícia Economia

Renato Lobo

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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