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Vítima intubada pisca para identificar agressor em Manaus; homem preso

Mulher de 44 anos foi agredida no bairro Parque Dez. Intubada no Hospital 28 de Agosto, ela confirmou a violência com sinais dos olhos para a polícia.

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Curadoria Nortícia
Amazonas · AM
26 de mai. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 585 palavras
Mulher hospitalizada intubada sinalizando com os olhos
Mulher de 44 anos foi agredida no bairro Parque Dez. Intubada no Hospital 28 de Agosto, ela confirmo · Foto: Redação Nortícia

A brutalidade de um crime de violência doméstica chocou Manaus nesta segunda-feira (25). Um homem de 51 anos foi preso, acusado de tentar matar a ex-companheira, de 44 anos. O caso ganhou contornos dramáticos devido à condição da vítima. Ela foi encontrada com ferimentos graves e, ao ser intubada no hospital, perdeu a capacidade de falar. Mesmo diante da limitação física, ela encontrou uma maneira de apontar o culpado: piscando os olhos para confirmar as agressões.

O Crime na Zona Centro-Sul

Os fatos remontam ao dia 18 de maio, uma segunda-feira, no bairro Parque Dez de Novembro. A região, situada na Zona Centro-Sul de Manaus, foi palco da agressão que deixou a mulher em estado grave. Segundo apuração da Polícia Civil, o suspeto transportou a vítima até o Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto. Ao chegar à unidade de saúde, ele tentou justificar os ferimentos com uma narrativa de acidente.

Para a filha da vítima e para os profissionais de saúde iniciais, o homem disse que a mulher havia tropeçado. A versão era que ela havia escorregado em uma pedra utilizada como degrau e caído de uma escada. Contudo, a equipe médica logo percebeu que as lesões não eram compatíveis com uma queda acidental. A gravidade e a extensão dos ferimentos levantaram o primeiro alerta de que algo mais sério havia ocorrido dentro da residência.

Confirmação Silenciosa

Com a suspeita de agressão física instaurada, a Delegacia da Mulher foi acionada para conduzir as investigações. O maior desafio enfrentado pelas autoridades era obter o relato da vítima. Devido à severidade das lesões, ela precisou ser submetida à intubação e sedação, o que a impedia de falar. Foi nesse cenário de emergência que a criatividade e a sensibilidade dos policiais foram essenciais.

Durante o atendimento, a equipe de investigação desenvolveu um método de comunicação básico com a paciente. Através de perguntas diretas, a polícia pediu que ela respondesse piscando os olhos. Foi assim que a verdade veio à tona. Ao ser questionada se o ex-companheiro havia agredido ela, a vítima piscou positivamente. Esse gesto simples foi determinante para desmontar a versão do suspeito e autorizar a prisão em flagrante do agressor.

Histórico de Violência

A delegada Patrícia Leão, que conduz o inquérito, revelou detalhes que mostram que este não foi um caso isolado. O relacionamento entre a vítima e o suspeito durou cerca de 15 anos. Durante todo esse período, segundo a autoridade policial, a mulher já sofria com um padrão de agressões. O histórico de violência doméstica foi um fator crucial para que a polícia tomasse as providências legais com rapidez, priorizando a proteção da vítima e a responsabilização do agressor.

A versão do "acidente" criada pelo suspeito logo caiu por terra diante das evidências clínicas e, principalmente, do depoimento não-verbal da vítima. A polícia apurou que as lesões eram resultantes de espancamento severo, classificando o caso como tentativa de feminicídio. A prisão do homem de 51 anos cumpre a função de impedir novos ataques e iniciar o processo de justiça pela mulher que agora luta pela vida na UTI.

A polícia de Manaus continua investigando o caso para garantir que todas as circunstâncias do crime sejam esclarecidas. O suspeito está sob custódia e responderá pelos seus atos. Enquanto isso, a vítima segue internada, recebendo o atendimento necessário. O episódio reforça a importância dos canais de denúncia e do acolhimento às vítimas de violência doméstica no Amazonas, muitas vezes silenciadas pelo medo ou, neste caso, pela gravidade dos ferimentos.

Com base em g1-am.

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