49 mil pessoas são impactadas por chuvas em Roraima, aponta Defesa Civil
Fortes chuvas isolam 46 comunidades indígenas em Uiramutã e Normandia; 9 municípios decretaram emergência.
Cacique Joaquim Machado, 45 anos, aponta para onde a estrada de terra costuma ser. Em Uiramutã, no extremo Norte de Roraima, só dá para ver água por cima. Ele e outras 46 comunidades indígenas estão ilhadas desde que a chuva forte desabou sobre o estado e destruiu a única ponte de acesso à região.
O problema não é apenas o alagamento das casas. É o isolamento total. Em Roraima, 49 mil pessoas foram impactadas pelas enchentes em sete dos 15 municípios, segundo levantamento da Defesa Civil divulgado nesta terça-feira (2). Os danos à infraestrutura cortaram o acesso terrestre de cerca de 12,1 mil moradores em Bonfim, Normandia e Uiramutã.
"A água levou o roçado inteiro. Tinha milho, banana, tudo foi embora. Agora a gente espera o helicóptero do governo pra ver se traz cesta básica", conta o agricultor Raimundo Nonato, 52 anos, que vive na zona rural de Normandia. Ele diz que a falta de energia elétrica e de água potável está complicando a rotina das famílias há quatro dias.
Nas cidades, o cenário também é de alerta. Em Boa Vista e Rorainópolis, ruas ficaram interditadas e o trânsito parou durante as piores tempestades. O chefe da Defesa Civil de Uiramutã, Julimar Sena, confirma a gravidade no Norte do estado. "Situação ainda muito crítica. Muita chuva na região, e as estradas estão intransitáveis", afirmou Sena.
O governo de Roraima já decretou situação de emergência em nove municípios: Bonfim, Uiramutã, Rorainópolis, Normandia, Alto Alegre, São Luiz do Anauá, Amajari, Iracema e Mucajaí. Iracema, Amajari, Caroebe e São João da Baliza estão com o processo de decretação tramitando. O estado liberou recursos para reparo de pontes e compra de alimentos, mas a logística em áreas indígenas depende de aeronaves e barcos, o que torna o socorro mais lento.
"Temos crianças e idosos nas comunidades. Precisamos de remédio e água potável com urgência", reforça o cacique Joaquim. A previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) é de que as chuvas continuem com intensidade moderada pelos próximos três dias, o que pode elevar ainda mais o nível dos rios e dificultar o resgate.
Famílias desabrigadas ou com casas danificadas podem registrar a situação nos postos da Defesa Civil nas prefeituras ou ligar para o número nacional de emergências, o 193. O estado montou um gabinete de crise para monitorar o nível dos rios em tempo real e coordenar as ações de resgate.
Ananda Rocha
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.



