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Moradores acompanham transmissão do JRO1 sobre impactos da chuva em Porto Velho

Chuva forte na tarde desta quinta-feira alaga pontos da Avenida Jorge Teixeira; moradores recorrem ao telejornal para se informar sobre o trânsito.

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Ananda Rocha
Rondônia · AM
04 de jun. de 2026
publicado
2 min
de leitura · 524 palavras
Mulher idosa assiste telejornal em sala iluminada por lâmpada durante tarde de chuva forte.
Chuva forte na tarde desta quinta-feira alaga pontos da Avenida Jorge Teixeira; moradores recorrem a · Foto: Redação Nortícia

Dona Tereza Cordeiro, 68 anos, aperta o controle remoto com a mão trêmula. Na tela da TV de 29 polegadas da sala, o relógio do JRO1 marca 18h05. Lá fora, o céu sobre Porto Velho está escuro, não pela noite que cai, mas pela tempestade que desabou meia hora antes sobre o bairro Pedrinhas. Ela quer saber se a água vai invadir a garagem de novo.

A chuva começou forte por volta das 17h30, concentrada na zona Norte e no Centro. Dona Tereza mora na Rua Uirapuru, esquina com a Caiapó, uma via que vira rio rápido com quinze minutos de temporal. A filha dela, Jéssica, está no trabalho no Madeira Shopping e precisa voltar. Sem saber se o ônibus 606 entra na rua, a referência da família é a transmissão ao vivo do telejornal da Rede Amazônica.

“Eles mostram lá, onde está alagado. Se o repórter estiver no Trevo da Imigrantes, é sinal que tá feio”, diz Dona Tereza, enquanto o apresentador fala da cobertura de nuvens. Na tela, a imagem corta para uma câmera externa na Avenida Governador Jorge Teixeira, popular Sete de Setembro. A água bate no meio-fio.

Não é só Dona Tereza. Nas casas do conjunto Candeias do Jamari, bairros como o Capital e no Triângulo, o JRO1 vira o serviço de meteorologia e trânsito da cidade. O morador não tem app confiável que avise em tempo real se a ponte do Rio Madeira vai fechar ou se o acesso à BR-364 está livre de deslizamento. A televisão aberta, com o repórter molhado segurando o microfone, é a prova.

Nesta quinta-feira, a reportagem mostrou pontos de alagamento na Principal do Conceição e na Avenida Pinheiro Machado, próximo ao calçadão. Água subiu meio metro em menos de vinte minutos. Um fusca branco ficou parado, motor morrendo, enquanto o motorista empurrava com ajuda de um mototaxista.

A Defesa Civil de Rondônia, ouvida ao vivo na bancada, informou que nenhum desabrigado foi registrado até o fechamento do telejornal, mas alertou para a subida do nível dos igarapés que cortam a zona urbana. O técnico Vinícius Souza pediu que as pessoas evitem cruzar pontes de madeira e não entrem em água corrente.

Jéssica, a filha de Dona Tereza, ligou cinco minutos depois. “Mãe, o JRO1 disse que o 606 tá desviando pela Madeirinha?”. Dona Tereza levanta, vai até a janela da cozinha e olha o quintal. O chão de terra ainda está seco, mas o cano da rua está gargalhando. “Ainda não, filha. Mas o repórter está na Principal do Pedrinhas agora. Tenta ir de táxi”.

A conversa desliga. Dona Tereza volta para a cadeira de palha. O comercial começa, anunciando uma loja de móveis na Call Center. Ela espera a volta da programação. Enquanto isso, o som da chuva na telha de zinco aumenta de intensidade. É o som de Porto Velho tentando drenar o que o esgoto não aguenta mais.

Para quem precisar de ajuda ou denunciar pontos de alagamento grave nesta noite, a Defesa Civil funciona pelo número 199. A prefeitura também disponibiliza o aplicativo “Ouvidoria POA”, onde o morador pode enviar foto e pedir a vistoria da guarita de limpeza.

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◆ Repórter · Nortícia Cidades

Ananda Rocha

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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