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Acre tem 3ª pior rodovia do país, aponta ranking do CLP

Estado alcança melhor nota desde 2016, mas BR-364 e AC-10 ainda desafiam motoristas com buracos e falta de sinalização.

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Ananda Rocha
Acre · AM
03 de jun. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 634 palavras
Caminhão trafega por trecho com buracos e fissuras na rodovia BR-364 no interior do Acre.
Estado alcança melhor nota desde 2016, mas BR-364 e AC-10 ainda desafiam motoristas com buracos e fa · Foto: Redação Nortícia

O motorista Raimundo Nonato, 48 anos, solta o volante com uma mão só para apontar a fileira de buracos na BR-364, na altura do quilômetro 38, trecho que liga Rio Branco a Senador Guiomard. Ele carrega madeira e farinha para Manaus há 12 anos e diz que a trepidação constante não é falta de amortecedor no caminhão. "É o chão que não aguenta a gente", resume, enquanto troca a marcha para desviar de uma cratera que tomou conta da faixa da direita.

O cansaço físico de Raimundo tem números oficiais agora. O Acre ocupa a 3ª posição no ranking das piores rodovias do país, segundo o estudo do Centro de Liderança Pública (CLP) divulgado nesta terça-feira (3). O estado ficou com nota 2,28, em uma escala que vai de 1 (péssimo) a 5 (ótimo). Parece ruim, e é, mas é o melhor desempenho acreano nos últimos nove anos desde que o ranking começou. Ficamos apenas na frente do Amazonas e do Amapá, que lideram negativamente a lista nacional.

O estudo analisou pavimentação, sinalização e estado geral do asfalto para chegar a essa média ponderada. Para o caminhoneiro, a melhora estatística não aparece na lataria do seu veículo. "Mês passado quebrei dois molas exatamente aqui, perto do trevo. A gente gasta o lucro do mês consertando o que a estrada quebrou", reclama. O trecho da BR-364 é a artéria principal de escoamento da produção acreana e é citado no estudo como um dos pontos críticos, junto com a AC-10, que sofre com congestionamentos e falhas na pavimentação urbana na saída da capital.

Quem também sente o impacto no bolso é a passageira Maria de Lourdes, 56 anos. Ela mora no Bairro Conquistador e trabalha no Centro de Rio Branco. Todo dia, o ônibus da linha 204 enfrenta a AC-40, que corta a cidade. "Quando chove, vira um pântano. O coletivo anda devagar, a gente perde o horário do almoço. Dizem no rádio que melhorou, mas o meu pé no chão e o balanço no banco dizem o contrário", conta ela, enquanto espera no ponto da Avenida Getúlio Vargas.

Além do desconforto humano, o problema é estritamente econômico. O mecânico José Roberto, dono de uma oficina na Estrada do Canela Fina, zona leste, vê o movimento aumentar na temporada de chuva, que degrada o asfalto mais rápido. "Rodovia ruim é o lucro da oficina, mas o prejuízo do dono do caminhão. Chega caminhoneiro com eixo torto, lona rasgada, batida de fundo. Isso repica no preço da farinha no mercado, no preço da passagem", analisa Roberto, enquanto aponta um parafuso solto no chão.

O governo do estado, através da Secretaria de Infraestrutura, e o DNIT foram procurados pela reportagem. A assessoria informou que a recuperação da BR-364 é uma prioridade e cita a inclusão da rodovia no Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), anunciado pelo presidente Lula no início deste ano. O pacote promete recursos para duplicação e correção do pavimento nos trechos mais críticos, como o entre Rio Branco e Porto Velho, que é considerado o gargalo logístico do estado.

Enquanto as obras do PAC não começam de fato na pista, a rotina é de desvio e reparo emergencial. O estudo do CLP mostra que, apesar da nota histórica de 2,28 para o padrão acreano, o estado ainda precisa avançar 86% para alcançar uma nota considerada "boa" no índice, comparado aos estados do Sul e Sudeste. Para os motoristas que percorrem a Transacreana e a BR-364 diariamente, a avaliação é simples: "Asfalto bom é aquele que a gente não lembra que existe. Aqui, a gente lembra a cada buraco", ironiza Raimundo, engatando a primeira marcha para subir a rampa de acesso.

Reclamações sobre buracos e problemas na malha rodoviária federal podem ser registrados na Ouvidoria do DNIT pelo número 166 ou pelo aplicativo DNIT Cidadão.

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◆ Repórter · Nortícia Cidades

Ananda Rocha

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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