Curso 'Do Celular ao Bolso' oferece 30 vagas gratuitas em Manaus
Iniciativa da CUFA-AM capacita jovens a partir de 15 anos para produzir conteúdo e precificar serviços usando apenas o smartphone.
Kaio da Silva, 19 anos, usa a tela trincada do celular para mostrar a bicicleta que conserta na garagem da casa da mãe, no bairro Jorge Teixeira, zona Norte de Manaus. Ele grava, corta e posta, mas acha que os vídeos ficam 'tremidos' e não sabe quanto cobrar pela propaganda da loja de peças da esquina. A chance de transformar o aparelho de passatempo em ferramenta de renda apareceu na timeline dele: o curso gratuito de audiovisual 'Do Celular ao Bolso'.
A iniciativa é da Central Única das Favelas do Amazonas (CUFA-AM). São 30 vagas abertas na capital, com foco em quem vive na periferia e precisa de emprego rápido. As aulas ensinam desde segurar o celular na hora certa até passar um orçamento de serviço sem se queimar no mercado.
O conteúdo é pesado em prática. O programa oferece formação em produção audiovisual, criação de conteúdo para redes sociais e, o pulo do gato, precificação de serviços. 'O curso foi pensado para que os participantes aprendam na prática como produzir vídeos usando o celular, desde a captação de imagens até a edição e a entrega de um conteúdo de qualidade. Mas vamos além da técnica. Também vamos abordar precificação', destaca a organização no edital.
A idade mínima é 15 anos. Quem está em situação de vulnerabilidade social e já é atendido por parceiros da CUFA tem preferência na lista. A proposta é pegar o que o morador já tem na mão e virar chave de renda.
Na Zona Leste, a falta de cursos técnicos bate na porta de Jéssica Costa, 24 anos. Ela vive no Conjunto Cidadão IV e faz serviços de design usando um tablet emprestado. Jéssica quer ampliar para vídeo. 'Tem feirante que quer postar, dona de bar que quer fazer vídeo, mas não tem quem faça. Se eu aprender direito, consigo tirar um dinheiro extra no fim do mês', conta ela, enquanto espera o ônibus na Avenida Constantino Nery. Ela é o público que a CUFA quer atingir: quem está fora do eixo formal e busca na economia criativa uma saída.
A CUFA aposta na inclusão produtiva. A ideia é usar o smartphone — que muitas vezes é o único bem de consumo moderno nas casas das periferias — para gerar negócios locais, empoderando a produção de conteúdo dentro das próprias comunidades. Em Manaus, o comércio local, das lojas da Cohabal ao Mercado Municipal, busca presença digital, mas falta mão de obra qualificada para filmar uma vitrine ou editar um depoimento de cliente com qualidade.
Para tentar uma das vagas, o interessado deve acessar os canais oficiais da CUFA-AM ou ir até a sede da entidade. É necessário ter mais de 15 anos e, no momento da inscrição, informar se pertence a algum projeto social parceiro, o que garante prioridade na seleção. As aulas devem começar em breve, com turma presencial na capital.
Ananda Rocha
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.


