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Acre tem 29 ‘Neymar’ e 627 ‘Ronaldo’, mostra Censo 2022

Dados do IBGE revelam que pais acreanos batizaram filhos com nomes de craques como Zidane, Romário e Neymar. A moda pegou nas Copas de 98 e 2002.

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Ananda Rocha
Acre · AM
09 de jun. de 2026
publicado
2 min
de leitura · 491 palavras
Documento de identidade aberto na página do nome, ao lado de uma bola de futebol sobre mesa.
Dados do IBGE revelam que pais acreanos batizaram filhos com nomes de craques como Zidane, Romário e · Foto: Redação Nortícia

Zidane Uillian da Silva Bezerra, de 24 anos, explica a origem do seu nome no portão de casa, no Conjunto Esperança, zona Leste de Rio Branco. Na próxima terça-feira, ele completa 25 anos justamente no dia em que a seleção francesa — time de seu xará — estreia em uma Copa do Mundo. O link não é coincidência: o pai dele torcia para a França em 1998, ano de nascimento do filho, e decidiu homenagear o craque na certidão.

“Meu pai é fanático. Quando a gente ia no cartório ou na escola, sempre tinha alguém perguntando se eu ia dar cabeçada em alguém. Virou marca”, conta o auxiliar administrativo, que hoje trabalha no comércio do centro da capital. A experiência dele não é isolada no Acre. A paixão pelo futebol ultrapassa os gramados do Arena da Floresta e vai direto para os registros civis. Dados do Censo 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que pais acreanos usaram o documento para eternizar ídolos do esporte.

O fenômeno mais recente envolve Neymar. O nome do atacante brasileiro, referência nas últimas décadas, aparece 29 vezes no estado. A idade mediana desses portadores é de 11 anos, um dado que revela o timing da homenagem: muitos nasceram no início dos anos 2010, quando o jogador despontava no Santos e na Seleção. No entanto, os campeões de audiência nos cartórios acreanos ainda são os ídolos das Copas de 1998 e 2002. O nome Ronaldo lidera a lista com folga: são 627 registros no Acre. Em seguida aparece Romário, com 457, e depois Rivaldo, com 130.

A diferença de números entre as gerações mostra como a memória do tricampeonato de 2002 ainda é forte na identidade das famílias daqui. Enquanto os nomes da copa da Franca (Zidane) e da era recente do Barcelona (Neymar) aparecem em menor escala, os do ‘Fenômeno’ e do ‘Baixinho’ viraram sobrenome de rua em bairros como o Conjunto Esperança e o Tancredo Neves. Zidane Uillian conta que, na escola estadual onde estudou, havia pelo menos três Ronaldos na mesma sala.

“Tinha Ronaldo do Neymar, Ronaldo do Fenômeno e Ronaldinho. Na hora de chamar, a professora tinha que colocar o sobrenome inteiro senão ninguém ia”, lembra. O levantamento do IBGE aponta que o Acre segue uma tendência nacional, mas com características próprias. Enquanto no Sul do país nomes de jogadores de futebol de salão ou veteranos podem aparecer mais, no Norte a força da seleção brasileira é predominante. Os dados fazem parte da plataforma Nomes no Brasil, que permite consultar a frequência de nomes por estado e município.

Para quem quer conferir se o nome do vizinho ou o do craque favorito é comum na cidade, o IBGE disponibiliza a busca online. A ferramenta é aberta e não exige cadastro. Basta acessar o site do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e digitar o nome para ver a distribuição por década de nascimento e por unidade da federação.

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◆ Repórter · Nortícia Cidades

Ananda Rocha

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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