Amazonas é o 2º estado com mais 'Neymars' do Brasil, aponta IBGE
Levantamento mostra que 239 amazonenses têm o nome do craque; idade mediana é de 11 anos.
Na sala do 6º ano 3 da Escola Municipal Santa Rita, no bairro Jorge Teixeira, zona Norte de Manaus, a professora Cida Lima faz uma pausa na chamada. A sala é barulhenta, o calor de 32 graus bate na lousa verde, mas a dúvida é técnica. “Neymar da Silva?”, ela pergunta novamente. Três meninos levantam a mão ao mesmo tempo, um na terceira fila, outro no fundo e o terceiro perto da janela.
A cena se repete em salas de aula e listas de chamada de toda a capital e do interior. O Amazonas é, proporcionalmente, o segundo estado brasileiro com mais pessoas chamadas Neymar. O dado vem da plataforma “Nomes no Brasil”, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que cruzou as informações do Censo Demográfico de 2022.
São 239 amazonenses registrados oficialmente com o primeiro nome Neymar. Isso representa 0,006% da população do estado. Só perdemos para Roraima, onde a proporção sobe para 0,008%. No ranking absoluto de quantidade, o Amazonas também aparece bem colocado, mostrando que o futebol não é apenas paixão de domingo, mas costuma ir para o cartório.
Edinaldo Rodrigues, 35 anos, motorista de aplicativo que trabalha na região do Compensa, lembra bem do dia em que decidiu o nome do filho, hoje com 12 anos. “Era 2014, o ano da Copa. A gente tava vendo o jogo, a minha mulher grávida, e eu falei: se for menino, vai ser Neyar. Não tem discussão. O menino hoje joga no campo da rua, chuta com as duas pernas, tá servindo pra alguma coisa”, conta, enquanto espera a próxima corrida no ponto de táxi da avenida Torquato Tapajós.
A escolha de Edinaldo ajuda a explicar um número central do levantamento: a idade mediana dos ‘Neymars’ brasileiros é de 11 anos. Isso significa que a metade das pessoas com esse nome tem 11 anos ou menos. O pico de registro aconteceu entre 2011 e 2016, o período de ouro do craque na Seleção e no Santos, antes da transferência para a Europa.
Em Manaus, a moda pegou rápido. Maria Aparecida da Costa, 42 anos, doméstica no bairro Alvorada, registrou o filho em 2013. “O cartorário até riu, mas eu sou fã do craque. Ele é nosso orgulho. Quando ele entra em campo, a gente vibra. Nome é nome, mas tem que ter gosto”, diz ela, que guarda a certidão de nascimento do pequeno Neymar Felício junto com a camisa da Seleção.
Além da proporção alta, o Amazonas tem particularidades regionais. O levantamento mostra que cidades do interior, como Parintins, Itacoatiara e Coari, concentram um número significativo de registros. Não é apenas uma febre da capital; o nome atravessou o rio Solimões e entrou na rotina das cidades da calha.
No total, o Brasil tem 2.443 Neymars. O nome ocupa a 4.486ª posição no ranking dos mais comuns do país. Longe dos líderes — como Maria, José ou Ana —, o nome do jogador entrou para a história demográfica recente como um símbolo de uma geração.
A curiousidade vale para outros nomes de jogadores também, mas nenhum tem a força de Neymar na região Norte. Para conferir esses dados, basta acessar a plataforma “Nomes no Brasil” no site do IBGE. Lá é possível filtrar por unidade da federação, município e até ver a distribuição por década de nascimento. Quem sabe a chamada da sua sala de aula não aparece por lá?
Enquanto a próxima Copa não chega, os pequenos Neymars de Manaus continuam indo para a escola, muitos deles com a bola no pé e a certeza de que carregam um nome pesado — e famoso — na certidão.
Ananda Rocha
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.



