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Nortícia CidadesImunização pausada

Acre suspende vacinação contra dengue do Butantan após alerta nacional

Estado segue orientação do Ministério da Saúde após óbitos suspeitos; no Acre, apenas profissionais de saúde foram imunizados.

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Ananda Rocha
Acre · AM
08 de jun. de 2026
publicado
2 min
de leitura · 514 palavras
Profissional de saúde segura frasco de vacina em posto de vacinação no Acre.
Estado segue orientação do Ministério da Saúde após óbitos suspeitos; no Acre, apenas profissionais · Foto: Redação Nortícia

A técnica de enfermagem Edilene da Silva, 38 anos, tomou a dose da vacina contra dengue no posto da UBS do 2º Distrito, em Rio Branco, há três semanas. Ela sentiu uma dor de cabeça leve que passou em dois dias e nem deu importância até ver a notícia na segunda-feira (8): a vacina do Butantan está suspensa no Acre.

Edilene faz parte do grupo prioritário que estava recebendo o imunizante Butantan-DV. A Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre) determinou a paralisação imediata da aplicação, seguindo uma nota técnica do Ministério da Saúde. A ordem federal veio depois do registro de dois óbitos suspeitos em outros estados, que estão sendo investigados para verificar se há relação com a vacina.

"Fiquei preocupada quando soube, porque a gente trabalha na linha de frente, mas o médico aqui do posto me tranquilizou. O meu sintoma foi bem fraquinho", conta Edilene, que continua atendendo pacientes rotineiramente. Ela não é um caso isolado. Outros colegas da UBS relataram reações semelhantes nas semanas seguintes à imunização, mas ninguém precisou de internação.

No Acre, a campanha com este imunizante ainda estava no começo e restrita aos trabalhadores da saúde. A Sesacre informou que enviou um ofício na manhã desta segunda-feira para todas as 22 prefeituras e para as unidades de vigilância epidemiológica municipais. O texto orienta que as salas de vacina interrompam a aplicação e mantenham os frascos armazenados corretamente, proibidas qualquer descarte ou uso.

Os dados do Ministério da Saúde mostram que, até 30 de maio, 500 mil pessoas haviam recebido a vacina no Brasil. Dessas, foram notificados 42 "eventos adversos possivelmente associados", incluindo os dois óbitos. Isso representa 0,008% do total — um número estatisticamente baixo, mas suficiente para acender o sinal amarelo na farmacovigilância nacional. Ainda não há um nexo causal comprovado.

Na prática, quem tomou a primeira dose e estava com a segunda agendada fica no aguardo. É o caso do médico Jorge Lima, do Hospital de Doenças Tropicais. Ele deveria receber o reforço nesta semana. "Agora é esperar a conclusão das investigações. É uma medida de precaução que a gente respeita, mas que deixa uma sensação de incerteza", comenta.

A Sesacre detalhou em comunicado que os eventos adversos registrados no Acre foram todos considerados leves. Os sintomas mais comuns relatados pelos servidores foram febre, cefaleia (dor de cabeça) e eritema (manchas vermelhas na pele). Todos tiveram resolução espontânea ou com medicação sintomática básica. Não houve registro de anafilaxia grave ou internações hospitalares ligadas à vacina no estado.

Enquanto o Ministério da Saúde e o Instituto Butantan não concluírem as perícias, as geladeiras das salas de vacina do Acre ficam com os estoques parados. A expectativa é que o laudo final sobre as mortes traga clareza sobre se a suspensão é definitiva ou apenas uma pausa de segurança.

Servidores da saúde que receberam a dose e apresentaram sintomas diferentes dos esperados, ou que sentirem mal-estar agora, devem procurar a unidade de saúde de referência para notificação. A Sesacre orienta que o registro desses casos continue sendo feito no sistema de vigilância para contribuir com o inquérito nacional.

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◆ Repórter · Nortícia Cidades

Ananda Rocha

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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