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Casos de arboviroses caem 56% no Amazonas em 2026, aponta FVS-RCP

Suspeitas de dengue, zika e chikungunya recuaram no primeiro semestre; dados da FVS-RCP mostram redução de 78% em casos confirmados de dengue.

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Ananda Rocha
Amazonas · AM
08 de jun. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 666 palavras
Mulher verifica tampa de caixa d'água em residência no bairro São Jorge, em Manaus.
Suspeitas de dengue, zika e chikungunya recuaram no primeiro semestre; dados da FVS-RCP mostram redu · Foto: Redação Nortícia

Dona Nair Batista, 58 anos, verifica a tampa da caixa d'água de número 42 na Rua do Cupim, no bairro São Jorge, zona Leste de Manaus, todas as terças-feiras às 5h da manhã. Ela usa uma vela de cera para vedar qualquer fresta por onde o Aedes aegypti possa entrar. O ritual se repete há seis meses, mas desta vez a ansiedade é menor. "Ano passado a vizinhança toda pegou dengue junto. Eu peguei chikungunya e fiquei três meses sem conseguir mexer o braço direito. Agora, graças a Deus, tá mais tranquilo, mas a gente não relaxa", afirma ela, limpando o suor da testa com o avental.

O alívio de Dona Nair não é apenas impressão. Os dados oficiais divulgados nesta segunda-feira (8) pela Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-RCP) confirmam o que os moradores do São Jorge sentem na pele: os casos suspeitos de arboviroses caíram 56% no estado nos primeiros cinco meses de 2026. Entre 1º de janeiro e 31 de maio, foram registradas 4.933 ocorrências suspeitas. No mesmo período de 2025, o contador já batia em 11.202 registros.

A redução mais drástica acontece na dengue, a doença que mais lotou as emergências dos hospitais da capital e do interior no ano anterior. Os casos confirmados da doença caíram quase 78%, passando de 3.160 para apenas 682. É uma queda que alivia o sistema de saúde público, que operava no limite da capacidade nos picos de janeiro e fevereiro.

No Lago do Puraquequara, região rural que historicamente sofre com a falta de assistência rápida, o mototaxista Raimundo Nonato, 41 anos, respira melhor. Ele perdeu uma semana de trabalho em 2025 por causa da febre de Mayaro, que deixou dores intensas nas articulações. "Quando você é autônomo, ficar na cama é prejuízo certo. Este ano o pessoal tá comentando que caiu bastante, ninguém da minha família pegou ainda", conta.

As estatísticas corroboram a percepção de Raimundo. A febre de Mayaro, que assustou autoridades sanitárias, teve redução de 93%: foram apenas quatro casos confirmados contra 56 no ano anterior. A chikungunya também recuou 53% (de 83 para 39 casos confirmados), e a zika caiu 33%, indo de nove para seis registros.

Na escola estadual professora Nair Lopes, no Educandos, a diretora Maria Helena Guedes, 34 anos, notou uma mudança no comportamento dos alunos. "Tivemos menos faltas por doença nos últimos meses. A gente continua com o projeto 'Escola sem Dengue', mas a água baixou", diz. Ela credita a melhoria à conscientização e à campanha de nebulização que a prefeitura intensificou naquele bairro em março.

O informe epidemiológico da FVS-RCP aponta que a queda é resultado de um esforço conjunto entre a vigilância estadual e os municípios. A Fundação reforça que, apesar dos números positivos, a circulação viral continua. "A redução não significa extinção do risco. É fundamental manter os cuidados básicos com os criadouros", alerta o documento.

Arboviroses são doenças causadas por vírus transmitidos principalmente pela picada de mosquitos infectados. Na Amazônia, o ciclo de chuvas influencia diretamente a proliferação dos insetos, mas o armazenamento inadequado de água em domicílios continua sendo o principal vilão.

Para quem vive nos bairros periféricos, onde a coleta de lixo pode ser irregular, a vigilância precisa ser redobrada. O descarte de pneus, garrafas pet e qualquer recipiente que acumule água parada deve ser feito de forma correta. A prefeitura de Manaus mantém o serviço de denúncia de focos de lixo insalubre disponível para a população.

Se você ou alguém da sua família apresentar sintomas como febre alta repentina, dor atrás dos olhos, dor muscular e manchas vermelhas na pele, procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais imediatamente. O diagnóstico precoce evita complicações graves e ajuda a vigilância a mapear novos focos.

Denúncias de criadouros de mosquitos ou solicitação de visita de agentes de combate a endemias podem ser feitas pelo telefone 158, opção 4, ou pelo aplicativo Manaus Saúdavel, informando endereço e ponto de referência. A linha está aberta de segunda a sexta, das 7h às 19h.

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◆ Repórter · Nortícia Cidades

Ananda Rocha

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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