Pai de adolescente atropelado no Acre aguarda redução da sedação em Rio Branco
Felipe Brito Diniz, 15 anos, segue internado no Pronto-Socorro desde sábado; exames indicam regressão do inchaço cerebral.
Jeferson Diniz, 42 anos, mal cansou o banco do corredor da Unidade de Terapia Intensiva do Pronto-Socorro de Rio Branco nos últimos quatro dias. Desde o último sábado (6), ele vive a porta fechada onde o filho Felipe Brito Diniz, de 15 anos, luta pela vida após ser atropelado na BR-364.
O acidente aconteceu no trecho isolado que liga Sena Madureira a Manoel Urbano, no fundo do Acre. Felipe pedalava na pista quando foi atingido. O impacto causou um traumatismo cranioencefálico grave, exigindo transferência urgente para a capital.
Nesta quarta-feira (10), a expectativa mudou de cor no corredor. "Estamos na luta. Disseram que hoje iam tentar diminuir a sedação dele. O cérebro já está dando sinal que está desinchando", relatou Jeferson. A notícia veio acompanhada de dados vitais: as pupilas voltaram a reagir e a febre cedeu.
O corpo do adolescente guarda as marcas do impacto na rodovia. Durante o atendimento inicial, a equipe médica identificou também uma fratura na perna. Por enquanto, o foco absoluto é a cabeça. A parte ortopédica fica para depois, assim que a equipe de neurologia der o sinal verde.
No hospital da capital, a rotina é de espera. Familiares de outros pacientes cruzam com Jeferson nos corredores, dividem um café quente da lanchonete e trocam olhares de solidariedade. O adolescente segue sob sedação profunda, e o próximo passo crítico é o despertar, que deve mostrar se houve ou não danos neurológicos permanentes.
A rodovia BR-364 é conhecida pelos motoristas do interior pelos trechos longos e pouca iluminação. Acidentes envolvendo motos e bicicletas são estatísticas frequentes nos boletins da Polícia Rodoviária Federal na região, mas nada prepara um pai para a visita na UTI.
Ananda Rocha
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.



