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Advogado ferido em queda de ponte em Sena Madureira recebe alta no Acre

Edinei Muniz saiu do hospital em Rio Branco após cirurgia no braço; estrutura caiu sexta-feira e já estava interditada.

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Ananda Rocha
Acre · AM
09 de jun. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 609 palavras
Ponte de madeira caída sobre as margens do Rio Iaco em Sena Madureira.
Edinei Muniz saiu do hospital em Rio Branco após cirurgia no braço; estrutura caiu sexta-feira e já · Foto: Redação Nortícia

Edinei Muniz sentiu o braço direito doer pela última vez no leito do hospital de Rio Branco na manhã desta terça-feira (9). O analgésico fez efeito, e os médicos assinaram a alta. O advogado, de 48 anos, pegou a estrada de volta para Sena Madureira com o membro imobilizado, protegido por uma tipóia branca. A cirurgia foi um sucesso, mas a recuperação em casa vai exigir paciência — e muitos curativos. "Ainda requer cuidados", disse um familiar à reportagem, resumindo o cenário que agora toma conta da casa da família.

Edinei é uma das quatro vítimas do desabamento da Ponte Frei Paolino Baldassari, que caiu na noite de sexta-feira (5) sobre as águas barrentas do Rio Iaco. Ele estava acompanhado do irmão, o juiz aposentado Edinaldo Muniz. Os dois caminhavam sobre a estrutura quando o chão desapareceu. A queda foi brusca, o impacto inevitável. Enquanto Edinei operava o braço em Rio Branco, a família ficava no suspense, aguardando notícias que aliviassem a angústia.

"A família é pequena e não tem muita gente pra cuidar", relatou o parente, destacando o desafio logístico de acompanhar a reabilitação de dois adultos feridos ao mesmo tempo. O alívio da alta convive com a dor tardia do trauma. Em Sena Madureira, a notícia da alta correu rápido, mas o alvoroço em volta da ponte continua.

O local do acidente virou ponto de parada obrigatório para curiosos, apesar do perigo. A Ponte Frei Paolino Baldassari já carregava o peso dos anos e da falta de manutenção. Desde a quinta-feira (4), a Prefeitura Municipal havia colocado placas e fitas de sinalização alertando sobre o "Risco de Desabamento". Era uma interdição formal, preventiva. Mas na prática, a barreira foi ignorada.

Câmeras de segurança de um comércio próximo registraram a tragédia em tempo real. No vídeo, é possível ver Edinei, o irmão e outras duas pessoas passando por cima do bloqueio, por entre as placas de "Proibido a Passagem". Minutos depois, a estrutura cede. O madeiramento estala e cai, levando tudo o que estava em cima para a margem do rio. A cena gelou o sangue de quem assistiu nas telas dos celulares naquela sexta-feira.

A questão que fica na boca de quem mora no bairro é "por que passaram?". Moradores da região, que preferiram não se identificar, contam que a ponte era um atalho vital. "A gente viu a placa, mas a ponte sempre segurou. A gente achava que era mais um aviso burocrático", comentou uma senhora que mora a duas quadras do local. A confiança cega na infraestrutura velha custou caro.

A Prefeitura de Sena Madureira, através da Secretaria de Obras, reforçou que a vistoria técnica constatou o risco iminente de colapso na estrutura metálica e de madeira. A interdição foi a única medida possível para evitar fatalidades. O que a administração municipal não previu foi a desobediência ao cerco. Agora, além da tragédia humana, a cidade lida com o isolamento de uma área importante e a dor de cabeça de ter que desviar o trânsito por quilômetros de estrada de terra.

Enquanto a discussão sobre a responsabilidade e a reforma engata marcha lenta, Edinei e Edinaldo focam na fisioterapia doméstica. O braço do advogado precisa ganhar movimento. O corpo do juiz precisa superar as dores da queda. A casa da família, antes silenciosa, agora virou um centro de recuperação improvisado.

Para quem precisa circular por Sena Madureira, a recomendação é respeitar os desvios sinalizados. Denúncias sobre infraestrutura em risco ou irregularidades podem ser feitas diretamente à Prefeitura pelo telefone 156 ou à Guarda Municipal. A ponte caiu, mas a esperança é que a lição sobre segurança — e respeito às placas — fique de pé.

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◆ Repórter · Nortícia Cidades

Ananda Rocha

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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