Amapá em alerta: chuvas fortes e ventos de até 100 km/h atingem o estado
Inmet emite aviso de perigo válido para todo o estado até o fim desta terça; risco de alagamentos e queda de árvores exige atenção.
Dona Francisca Chagas, 52 anos, corre para recolher o enxoval que estava no varal do fundo da casa, no bairro do Laguinho, em Macapá. O céu já está cinza escuro e o vento começa a balançar os fios de luz lá pelas 10 horas da manhã. "É aquele vento que a gente ouve antes do temporal desabar", conta ela, enquanto fecha as janelas.
O temporal não é impressão. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu na manhã desta terça-feira (9), às 9h25, um alerta de perigo válido para todos os 16 municípios do Amapá. O aviso técnico aponta para chuvas intensas — entre 30 e 60 milímetros por hora — e rajadas de vento que podem bater os 100 km/h. O risco vai de alagamentos rápidos à queda de árvores e placas de publicidade.
Na Avenida Félix Pacheco, uma das principais da capital, o comércio de rua já sentiu o impacto. Marcos Vinícius, vendedor de água de coco, desmontou a barraca às 9h30 para não perder o estoque. "Quando chega esse vento forte, a estrutura não segura. Perco é mais do que ganho se ficar", explica. A previsão do Inmet é que as condições adversas continuem até o fim da noite, às 23h59, cobrindo cidades como Macapá, Santana, Oiapoque e Mazagão.
Em Santana, na região metropolitana, o cenário se repete com preocupação nos bairros baixos. A Defesa Civil do Amapá monitora os pontos de alagamento conhecidos, como a via que dá acesso ao Terminal Rodoviário. "A água desce rápido, mas se a chuva for constante, a gente não consegue escoar", relatou um morador da rua São Sebastião. A orientação oficial é clara: evitar cruzar pontes inundadas e ficar longe de margens de igarapés.
No transporte público, a expectativa é de atrasos. O ponto de ônibus da Avenida Beira-Mar, próximo ao Mercado Central, já ficava com fila maior que o normal por conta da garoa. Mototaxistas relatam que a visibilidade reduzida nas avenidas Central e Fab exige velocidade menor. A chuva acumulada pode chegar a 100 milímetros em 24 horas, o que enche as galerias pluviais rapidamente.
Além do transtorno no trânsito e no comércio informal, o alerta traz perigo para a rede elétrica. A Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA) colocou equipes de prontidão para possíveis cortes causados por galhos nos fios. O vento previsto é suficiente para derrubar árvores de médio porte, especialmente nos bairros mais arborizados da zona sul e zona leste de Macapá, como o Congós e o Trem.
A Defesa Civil do Amapá reforçou as recomendações de segurança por meio de comunicado oficial. A principal é desligar aparelhos eletrodomésticos das tomadas e desligar o quadro geral de energia se a chuva causar curtos-circuitos ou quedas de fio. "Não tente reparar fios caídos. Chame a CEA ou acione a Defesa Civil", alerta o órgão. Motoristas também são orientados a não estacionar embaixo de árvores ou próximo a torres de transmissão.
Em cidades do interior, como Laranjal do Jari e Vitória do Jari, a preocupação se volta para as estradas não pavimentadas e para o transporte fluvial. Quem mora nas margens dos rios deve ficar atento ao nível da água e evitar a navegação durante as tempestades.
Caso ocorra emergência, como desabamentos ou enchentes que coloquem vidas em risco, o contato deve ser imediato. A Defesa Civil funciona pelo número 199 e o Corpo de Bombeiros pelo 193. O canal de ouvidoria da CEA registra pedidos de manutenção elétrica pelo telefone 166.
Ananda Rocha
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.



