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Amapá atinge 74% de cobertura vacinal contra bronquiolite em gestantes

Estado aplicou 3.947 doses entre dezembro e maio; meta é proteger recém-nascidos de complicações respiratórias.

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Ananda Rocha
Amapá · AM
01 de jun. de 2026
publicado
2 min
de leitura · 540 palavras
Gestante aguarda atendimento na Unidade Básica de Saúde Santa Rita, em Macapá.
Estado aplicou 3.947 doses entre dezembro e maio; meta é proteger recém-nascidos de complicações res · Foto: Redação Nortícia

Ana Paula Souza, 29 anos, segura a carteirinha de pré-natal na fila da Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro Santa Rita, zona sul de Macapá. Ela está na 30ª semana de gestação e espera apenas o chamado da técnica de enfermagem para tomar uma injeção que vai proteger o filho que ainda vai nascer. 'A médica explicou que o bebê já nasce com a defesa pronta. Não custa nada esperar um pouco', diz Ana.

A vacina que ela toma é contra o vírus sincicial respiracional, a principal causa de bronquiolite em bebês. Os dados mais recentes do Ministério da Saúde, divulgados nesta segunda-feira (2), mostram que o Amapá aplicou 3.947 doses desde o início da campanha, em dezembro de 2025, até o fim de maio deste ano. O número representa 74% de cobertura vacinal no público-alvo, que são as gestantes a partir da 28ª semana. É um índice acima da média nacional e que coloca o estado na liderança na Região Norte.

A imunização funciona como um escudo transferido da mãe para o feto. Os anticorpos atravessam a placenta e protegem a criança nos primeiros seis meses de vida, fase em que o sistema respiratório ainda é imaturo e o risco de internação é maior. Na UBS Santa Rita, a agente de saúde Betânia Silva, 45 anos, conta que a procura aumentou depois que as chuvas diminuíram. 'No começo tinha quem tivesse medo, mas agora a própria gestante vem cobrar', afirma.

Em Santana, a segunda maior cidade do Amapá, a estratégia foi diferente. Lá, a equipe de saúde da família aproveitou as visitas domiciliares na zona rural para buscar as grávidas que não iam ao posto. Jéssica Costa, 24 anos, moradora da comunidade do Curiaú, recebeu a vacina na sala de casa há duas semanas. 'A enfermeira veio de manhã cedo, aplicou e já avisou a data da próxima consulta', relata.

A logística para levar as vacinas ao interior do estado envolve deslocamentos pela BR-156 e embarcações fluviais. A Secretaria de Estado da Saúde (Sesap) informou que todos os 16 municípios receberam as doses necessárias e que não há registro de falta de insumo nos estoques. A pasta avalia que a alta adesão das gestantes amapaenses é crucial para reduzir a pressão sobre os leitos pediátricos do Hospital da Criança e do Hospital de Emergência, em Macapá, que costumam lotar no período de maior circulação de vírus respiratórios.

O Ministério da Saúde estipula a meta de 80% de cobertura para esta campanha. No Amapá, restam cerca de mil gestantes para serem localizadas e imunizadas. A Sesap trabalha agora na busca ativa de mulheres que perderam o acompanhamento do pré-natal, cruzando dados do sistema de informação com as listas das UBSs. O foco é fechar o gap antes do inverno amazônico, que favorece a proliferação de doenças respiratórias.

Gestantes que ainda não tomaram a dose única podem procurar qualquer UBS ou policlínica do estado. É necessário levar documento de identidade e carteira de gestante. A vacina é gratuita e está disponível na rede pública. Para saber qual é o posto mais próximo, a Secretaria de Saúde orienta a ligar para o Disque-Saúde no número 160 ou acessar o aplicativo 'Sua Saúde Amapá', que lista os horários de funcionamento das unidades.

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◆ Repórter · Nortícia Cidades

Ananda Rocha

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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