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Moradores de Taquari enfrentam falta d'água há uma semana em Palmas

Há sete dias, bairro do Taquari sofre com baixa pressão e cortes no fornecimento; Saneatins culpa manutenção na adutora.

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Ananda Rocha
Tocantins · AM
01 de jun. de 2026
publicado
2 min
de leitura · 547 palavras
Baldes de plástico ficam enfileirados no quintal de uma casa em Palmas devido à falta de água.
Há sete dias, bairro do Taquari sofre com baixa pressão e cortes no fornecimento; Saneatins culpa ma · Foto: Redação Nortícia

Dona Cida de Souza, 54 anos, acorda às 5h da manhã todos os dias para tentar encher um tanque de 200 litros no quintal da casa 404, na Rua RS 15 do setor Taquari, em Palmas. Desde a última terça-feira, 27 de maio, o ritual de espera virou a única certeza. A água chega gotejando por volta das 23h, insuficiente para manter a limpeza da casa e a higiene da família.

O problema não é exclusivo da casa de Dona Cida. O relógio da rua parece ter parado na quarta-feira passada para cerca de 3 mil famílias da região. A baixa pressão no sistema de abastecimento transformou o cotidiano em uma corrida contra o tempo para quem precisa trabalhar ou levar filhos à escola. O Taquari é um dos bairros mais populosos da capital, e a reclamação é unânime nos grupos de WhatsApp da rua: a água sumiu.

De acordo com o boletim divulgado pela Saneatins na manhã desta segunda-feira, 1º de junho, a intermitência é resultado de uma manutenção corretiva na adutora do Araguaia II. A concessionária informou que a vazão foi reduzida para permitir os reparos, o que impactou diretamente a reserva dos reservatórios que abastecem o Taquari e o Plano Diretor Sul. A previsão inicial de normalização, prometida para o domingo, não foi cumprida.

“Eles falam que é manutenção, mas a gente não vê os técnicos por aqui”, reclama Seu Raimundo Nonato, 68 anos, vizinho de porta de Dona Cida. Ele carrega dois baldes de plástico na garupa da bicicleta até a casa de uma filha que mora em outro bairro, onde tem água, para abastecer a caixa de descarga e lavar a louça. “É uma humildade só. Eu tenho problema de coluna, e a água não aparece”, diz ele, enquanto encosta a bicicleta no muro.

A Saneatins emitiu uma nota na noite de domingo afirmando que as equipes continuam em campo e que a situação deve se regularizar “gradualmente” nas próximas 48 horas. A empresa pede compreensão e recomenda o uso racional da água, mas não informou se haverá envio de caminhões-pipa para aliviar a falta nas ruas mais críticas, como a RS 15 e a RS 20, onde o relevo mais alto dificulta ainda mais a chegada do líquido quando a pressão cai.

Não é a primeira vez em 2026 que o bairro enfrenta este cenário. Em janeiro, uma ruptura na mesma tubulação deixou a região seca por quatro dias. Moradores questionam a capacidade de armazenamento do reservatório local, que seria subdimensionado para o crescimento populacional da área nos últimos cinco anos. O projeto de ampliação, previsto no PPA 2024-2027, ainda não saiu do papel na Secretaria de Infraestrutura.

Enquanto a promessa de normalização não vira realidade na torneira, a organização é a saída. Baldes se espalham pelas calçadas. A fila da lava-jato improvisada na esquina aumenta cedo. Dona Cida diz que já acostumou, mas não aceita. “A gente paga a conta em dia. A gente quer é o serviço funcionando, é simples”, resume ela, enquanto guarda o balde que novamente ficou pela metade nesta segunda-feira de sol.

Quem enfrenta cortes superiores a 24 horas ou irregularidades constantes pode registrar reclamação direto na Agência Virtual da Saneatins ou pelo telefone 156, opção 4. É importante anotar o número do protocolo para acompanhamento.

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◆ Repórter · Nortícia Cidades

Ananda Rocha

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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