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Amapá passa a oferecer braquiterapia; tratamento deixa de exigir viagem para Belém

Centro de Radioterapia na Zona Norte de Macapá começa a realizar procedimento gratuito para tumores ginecológicos.

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Ananda Rocha
Amapá · AM
09 de jun. de 2026
publicado
2 min
de leitura · 541 palavras
Estrutura do Centro de Radioterapia do Amapá na Zona Norte de Macapá.
Centro de Radioterapia na Zona Norte de Macapá começa a realizar procedimento gratuito para tumores · Foto: Redação Nortícia

A paciente de 32 anos que inaugurou o novo serviço na segunda-feira (8) não precisou arrumar a mala para viajar. Antes, o destino dela era Belém, no Pará, onde ficava semanas longe de casa para tratar um câncer ginecológico. Agora, ela faz a braquiterapia na Zona Norte de Macapá e volta para dormir em casa à noite.

O tratamento é novo no Amapá. O Centro de Radioterapia do Amapá começou a oferecer a braquiterapia, um tipo de radioterapia interna usada principalmente para tumores no colo do útero e no endométrio. Antes disso, quem precisava desse procedimento de alta precisão tinha que sair do estado. A Secretaria de Saúde confirmou que o serviço é gratuito pelo SUS.

A braquiterapia é diferente daquela radioterapia que a gente vê na TV, que vem de fora para dentro. Nela, o médico coloca uma fonte radioativa direto no tumor ou bem pertinho dele. A vantagem é a dose de radiação alta, mas só no ponto necessário. Isso mata mais células cancerígenas e prejudica menos o tecido saudável da mulher. É o que os médicos chamam de “taxa de cura maior com menos efeitos colaterais”.

Para quem vive na periferia de Macapá ou nos municípios do interior, a novidade muda a logística do tratamento. Não é mais filas no aeroporto para pegar um voo de conexão, nem dias e dias hospedada em pensionatos de Belém. O procedimento é ambulatorial. A mulher entra, faz a aplicação, descansa algumas horas no próprio centro e recebe alta no final da tarde.

O acesso, porém, não é direto. Não adianta a paciente chegar à porta do Centro pedindo o exame. O caminho começa na unidade básica de saúde ou no consultório do oncologista que acompanha o caso. O médico avalia o quadro, vê se a doença respondeu à radioterapia externa e, se necessário, prescreve a braquiterapia. Esse pedido entra no sistema de regulação e a agenda é marcada pela secretaria.

Em média, são necessárias de três a quatro sessões. A coordenadoria do Centro explica que tudo depende do plano de tratamento traçado pela equipe médica. Cada sessão é rápida, mas exige preparo e monitoramento. A máquina usada é moderna e permite que a dose seja calculada milimetricamente, protegendo órgãos como a bexiga e o reto.

Para o bolso do estado, o impacto também é positivo. A Secretaria de Saúde deixa de gastar com passagens aéreas e diárias no Pará. O dinheiro, antes usado para deslocamento, pode virar insumo para mais tratamentos. Além disso, o Amapá deixa de congestionar a fila dos hospitais de Belém, focando em resolver a demanda da população local.

A paciente de 32 anos que fez o primeiro procedimento na segunda-feira é o exemplo prático dessa economia. Ela voltou para casa, jantou com a família e dormiu no próprio quarto. Pequenas coisas que, num tratamento de câncer, recuperam a dignidade. O Centro de Radioterapia fica na Zona Norte e tem capacidade para atender toda a demanda do Amapá, incluindo Santana, Oiapoque e Laranjal do Jari.

Quem está em tratamento ou tem diagnóstico suspeito deve procurar o médico da Unidade Básica de Saúde mais próxima. O caminho é o encaminhamento pela rede de atenção básica até o especialista. É ele quem vai definir se o caso precisa da braquiterapia.

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◆ Repórter · Nortícia Cidades

Ananda Rocha

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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