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Amapá é o único estado sem captação de órgãos e transplantes no Brasil

Com mais de 500 pacientes em tratamento renal, o estado não realiza o procedimento e depende de transferências para Belém e Brasília.

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Ananda Rocha
Amapá · AM
18 de jun. de 2026
publicado
2 min
de leitura · 449 palavras
Paciente realiza sessão de hemodiálise em hospital público em Macapá.
Com mais de 500 pacientes em tratamento renal, o estado não realiza o procedimento e depende de tran · Foto: Redação Nortícia

Seu Raimundo Nonato, 58 anos, pega a mototáxi às 5h da manhã no bairro Santa Rita, em Macapá, para chegar à unidade de hemodiálise do Hospital de Clínicas do Amapá. Ele faz a dieta restrita a rigor, mas os rins não funcionam há três anos. O que ele mais quer é não depender da máquina três vezes por semana. Para isso, precisaria de um transplante renal. Mas no Amapá, isso é impossível — pelo menos por enquanto.

O Amapá é o único estado brasileiro que nunca realizou um transplante de órgãos ou uma captação de doadores. Roraima e Tocantins já tiveram seus registros, mesmo que esporádicos. Aqui, o zero é absoluto.

A lista de espera cresce na contramão do resto do país. Segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), mais de 500 amapaenses vivem com doença renal crônica e fazem diálise. A cada ano, 150 novos pacientes entram nessa fila.

"Meu filho tem 22 anos e está começando o tratamento agora. O médico falou que logo, logo ele vai precisar do rim. A gente pensa: vai ter que ir pra Belém? E a passagem? E a hospedagem?", conta Francisca Souza, 45, na sala de espera do posto de saúde do Laguinho. Ela morre de renda do marido, pescador. Viajar para o Pará é matemática que não fecha.

A estrutura montada não aguenta a complexidade do procedimento. Não há comissão intra-hospitalar de doação de órgãos ativa o suficiente, nem equipe cirúrgica pronta 24 horas. Por isso, representantes da ABTO estão em Macapá nesta semana. Eles visitaram o Hospital de Clínicas e a Maternidade Mãe Luzia para ver o que falta.

Valter Duro Garcia, conselheiro da ABTO, foi direto ao ponto. "O Amapá tem mais de 500 pacientes com doença renal crônica em diálise. A cada ano, mais de 150 ingressam nesse tratamento. Precisamos organizar o sistema, buscar doadores, preparar os pacientes e realizar os transplantes", afirmou durante reunião na Secretaria de Saúde.

Enquanto o estado debate, pacientes precisam ser transferidos via SUS para Belém ou Brasília. O custo, embarcado pelo governo, é alto. O desgaste da família, imensurável. A região Norte já chegou atrasada nessa corrida, mas o Amapá ainda está na largada.

O passo agora é legal. O governo do estado precisa firmar o convênio com o Sistema Nacional de Transplantes e ativar a Central de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos. Até lá, o Amapá continua sendo um mapa sem pontes para quem precisa de um novo coração, fígado ou rim.

Pacientes que necessitam de informações sobre transferência para tratamento fora do estado devem procurar a Central de Regulação do Amapá (CERMAP) no número (96) 3212-2525, ou presencialmente na Avenida Félix Pinto, 2.526, bairro Santa Rita.

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◆ Repórter · Nortícia Cidades

Ananda Rocha

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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