Chuva atrapalha o trânsito e o transporte coletivo na manhã desta quinta em Manaus
Pontos de alagamento e frota reduzida deixam motoristas e passageiros em alerta na zona Oeste e Centro-Sul da capital.
Dona Francisca das Graças, 54 anos, ajusta o guarda-chuva sob a marquise da padaria na esquina da Avenida Timbiras com a Rua Santa Rita, no bairro São Francisco, zona Oeste de Manaus. São 6h45 desta quinta-feira, 18 de junho, e a chuva fina, mas constante, já forma poças na via. Ela espera o ônibus da linha 455, que a leva até o Complexo Industrial, onde trabalha como auxiliar de limpeza. Há vinte minutos que nenhum veículo da linha passa pelo ponto.
A manhã amazônica começou encoberta. Segundo o boletim mais recente do CTT-AM (Companhia de Trânsito e Transporte Urbano), a nebulosidade e as pancadas de chuva que atingiram a cidade durante a madrugada e o início da manhã devem persistir até às 9h. O reflexo nas ruas foi imediato: o sensoriamento do órgão, às 7h10, apontava 18 quilômetros de filas de trânsito, com lentidão mais crítica na Ponte Rio Negro e nos corredores Epaminondas e Djalma Batista.
Para quem pega ônibus, o cenário é de incerteza. A Manausvia informou, através de seu canal oficial, que quatro veículos da frota que cobrem a zona Oeste e a Ponta Negra sofreram avarias mecânicas durante a madrugada devido às alagações nas garagens. "Temos uma frota operacional reduzida em 12% neste turno. Pedimos compreensão e reforçamos que os ônibus em circulação vão cumprir o itinerário completo, porém com intervalos maiores", informou a assessoria da empresa.
Na prática, isso significa o que Dona Francisca está vivendo: a espera. "Se esse daqui não passar, eu vou ter que pagar um mototáxi, senão levo falta. O patrão não quer saber se choveu ou se o ônibus quebrou, ele quer saber se eu cheguei para limpar o chão", reclama ela, verificando o relógio.
Além da frota reduzida, há os pontos críticos de alagamento que desafiam motoristas. O Serviço de Limpeza Pública (Semulsp) confirma três focos principais de acumulo de água na cidade: na Rua Belo Horizonte, próximo ao mercado municipal do Adrianópolis; na confluência da Avenida Brazil com a Avenida do Turismo, no Educandos; e na entrada do bairro Colônia Antônio Aleixo. Na Colônia, moradores relatam que a água chega a cobrir meio pneu de carro.
Josenildo Soares, 28 anos, motoboy que trabalha com entregas de aplicativo, toma um café rápido em um posto de gasolina na Djalma Batista antes de enfrentar a ponte. Ele diz que a chuva é negócio ruim para quem corre contra o relógio. "É mais perigoso e demora três vezes mais. Os carros travam, a gente tem que ir pelo corredor e isso dá multa. Ou então a gente toma um banho de água suja quando um carro passa numa poça", conta Soares, encostando a moto.
A Defesa Civil de Manaus permanece em estado de atenção. Não há registro de desabamentos ou vítimas até o momento desta publicação, mas a recomendação é para evitar locais próximos às margens dos igarapés do Mindu e do Quarenta, cujos níveis sobem rapidamente neste tipo de chuva contínua. O policiamento de trânsito está reforçado nas imediações da Ponte Rio Negro para organizar a fila que se forma no acesso à Zona Norte.
Para o restante do dia, a previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) é de melhoria gradiva no céu, com nuvens dispersas a partir do meio-dia. As temperaturas devem ficar entre 24°C e 32°C. Até lá, Manaus segue o ritmo lento da chuva.
Quem precisa viajar de ônibus e quer saber a localização exata do coletivo pode utilizar o aplicativo "Manausvia Oficial" ou ligar para o Disque Transporte no número 156, opção 2. As reclamações sobre buracos ou pontos de alagamento não sinalizados podem ser registrados pelo aplicativo Manaus NeoTaxi, na opção "Ouvidoria".
Ananda Rocha
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.


