Anvisa recolhe lote de água Crystal com bactéria no Tocantins
Lote contaminado foi enviado para Arraias, Combinado e Novo Alegre; entenda como identificar a garrafa na prateleira.
Dona Cida de Sousa, 48 anos, interrompe o estoque do Mercado Popular na Rua 13 de Maio, em Arraias, sul do Tocantins. Ela pega uma garrafa de água mineral Crystal de 500 ml, vira o rótulo para a luz e passa o dedo sobre o código de barras. "P 200126", lê ela em voz alta. É o número exato que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recolheu nesta terça-feira (3). Sem pestanejar, a comerciante leva a unidade para o fundo da loja, longe do alcance dos clientes.
O recolhimento é voluntário por parte da fabricante, mas obrigatório do ponto de vista da saúde pública. A Anvisa confirmou a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa no lote. No Tocantins, 1.439 garrafas desse lote específico foram enviadas para comercialização. Elas não estão em Palmas, nem em Gurupi. O foco do problema é restrito ao sudeste do estado, especificamente nos municípios de Arraias, Combinado e Novo Alegre.
A fabricante, Mineração Bom Jesus Ltda., informou que a distribuição foi "restrita" a esses três municípios tocantinenses. O lote total fabricado em 20 de janeiro deste ano soma 374,4 mil garrafas, a maioria destinada ao Distrito Federal e Goiás. Mas aqui na região do Bico do Papagaio e entorno, o cuidado tem que ser redobrado, pois a logística de distribuição muitas vezes leva o produto para vendas menores na zona rural.
Em Combinado, a 60 quilômetros de Arraias, a dona de lanchonete Maria Helena Gomes já avisou os filhos para conferir a geladeira da casa antes do almoço. "Comprei três pacotes da semana passada no atacadinho da BR. Tinha criança bebendo aqui no almoço ontem, fiquei com medo", conta Maria, enquanto usa o celular para mostrar a mensagem da Secretaria de Saúde que circulou nos grupos de WhatsApp da cidade. Ela conferiu uma por uma: suas garrafas eram de um lote anterior, seguro para o consumo. O alívio foi geral, mas o alerta ficou.
Em Novo Alegre, agentes da Vigilância Sanitária municipal percorreram o comércio da Avenida Principal nesta manhã. No Mercado Municipal, o movimento era de corre-corre logo cedo. O senhor João, vendedor de frutas, usa a água para fazer sucos. Ele pegou a caixa que estava embaixo do balcão. "Minha sorte é que eu prefiro a de 1,5 litro, dessa de 500ml eu vendo pouco", disse ele, aliviado. A fiscalização não quer deixar nada ao acaso.
A bactéria Pseudomonas aeruginosa é um microrganismo oportunista. Em pessoas saudáveis, pode causar sintomas leves, mas em imunossuprimidos ou crianças, o risco de infecção é maior. Não é uma bactéria que deveria estar em água mineral tratada. O objetivo é evitar qualquer surto de doenças transmitidas pela água na região.
Como identificar se você tem uma garrafa contaminada em casa? Pegue a embalagem de 500 ml de água sem gás da marca Crystal. Procure no gargalo ou no rótulo a inscrição completa: LZ1 VAL200127 3 P 200126. Em muitos casos, aparece apenas como lote P 200126. A data de fabricação é 20/01/2026. Se o número bater, não beba e não ofereça a ninguém.
A Coca-Cola, detentora da marca Crystal, não respondeu aos pedidos de esclarecimento até o fechamento desta reportagem. A nota técnica da Mineração Bom Jesus afirma que o recolhimento é uma medida de precaução para proteger o consumidor. Quem comprou a água tem direito à devolução integral ou troca no estabelecimento onde comprou, basta apresentar o produto ou o cupom fiscal.
O passo a passo agora é conferir. Se encontrar o lote em casa, separe o produto para descarte seguro. O consumidor pode denunciar a venda irregular pela Ouvidoria da Anvisa no número 0800 642 9782, opção 4, ou pelo formulário do site da agência. Em Arraias, a Vigilância Estadual orienta que a população procure o posto de saúde central em caso de sintomas gastrointestinais após o consumo.
Ananda Rocha
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.



